Entre Crianças, Personagens E Monstros

Entre Crianças, Personagens E Monstros é o resultado de uma pesquisa de cunho etnográfico sobre jogos e brincadeiras infantis.

Criança é um assunto sobre o qual muitos têm algo a dizer — já que, de alguma maneira, todos temos ou tivemos alguma experiência com crianças ou como crianças.

Frequentemente, a infância é retomada como passado, como nos discursos das pessoas de idade mais avançada, que falam sobre como foi sua infância e como o mundo era antigamente — falas essas quase sempre tomadas por um sentimento nostálgico.

“Quando eu era pequeno…” ou “Quando eu tinha a sua idade” é um tipo de frase que ouvimos constantemente.

Também quando situadas no presente, crianças são comumente objeto de discursos, desde como são “fofas” e sempre nos surpreendem, até sobre como hoje a infância supostamente deixou de existir, por conta da influência da mídia e da vida em meio às sociedades de consumo.

Desde que elas deixaram de ser pensadas — e representadas em obras de arte — como apenas “homens de tamanho reduzido”, e a infância passou a constituir um estágio distinto da vida adulta, crianças se tornaram temas de discussões próprias, sendo tidas ora como uma ruptura, ora como uma continuidade em relação à adolescência e à vida adulta.

Entre Crianças, Personagens E Monstros é o resultado de uma pesquisa de cunho etnográfico sobre jogos e brincadeiras infantis, feita com crianças da educação infantil e do primeiro segmento do ensino fundamental (de três a sete anos de idade), envolvendo ainda professores, direção da escola e, vez ou outra, pais de alunos.

Tarefa ousada para um jovem antropólogo como Guilherme Fians. Os antropólogos clássicos e vitorianos, ao compararem a mentalidade primitiva com a mentalidade infantil, sugerem que, por não estarem cientes das leis da natureza, os povos primitivos explicam os acontecimentos por leis divinas, e, ao não conseguirem perceber as relações causais de forma clara, estariam se enganando.

De forma similar, as crianças estariam se enganando ao acreditarem em monstros ou ao "acharem" que são super-heróis durante um faz de conta.

Do mesmo modo, para etnografar as brincadeiras infantis, o autor não tem como evitar que a sua pesquisa esbarre, todo o tempo, na tradição ontológica arraigada nas noções do que é "de verdade" e do que é "de mentira", bem como nas regras instáveis das brincadeiras. Colocado de outra maneira, como escapar das distinções fáceis entre "mundo adulto" e "mundo infantil"? Ou o que é "sério" e o que é de "brincadeira"?

Valendo-se de uma corrente antropológica contemporânea, denominada antropologia simétrica, Entre Crianças, Personagens E Monstros vence com sobras os desafios ao levar realmente a sério os conceitos e práticas que as crianças formulam quando brincam.

Ao levar as crianças a sério, o autor elabora uma antropologia que não é simplesmente "sobre a infância", mas "da infância", no sentido em que é escrita "do ponto de vista das crianças".

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Entre Crianças, Personagens E Monstros é o resultado de uma pesquisa de cunho etnográfico sobre jogos e brincadeiras infantis.

Criança é um assunto sobre o qual muitos têm algo a dizer — já que, de alguma maneira, todos temos ou tivemos alguma experiência com crianças ou como crianças.

Frequentemente, a infância é retomada como passado, como nos discursos das pessoas de idade mais avançada, que falam sobre como foi sua infância e como o mundo era antigamente — falas essas quase sempre tomadas por um sentimento nostálgico.

“Quando eu era pequeno…” ou “Quando eu tinha a sua idade” é um tipo de frase que ouvimos constantemente.

Também quando situadas no presente, crianças são comumente objeto de discursos, desde como são “fofas” e sempre nos surpreendem, até sobre como hoje a infância supostamente deixou de existir, por conta da influência da mídia e da vida em meio às sociedades de consumo.

Desde que elas deixaram de ser pensadas — e representadas em obras de arte — como apenas “homens de tamanho reduzido”, e a infância passou a constituir um estágio distinto da vida adulta, crianças se tornaram temas de discussões próprias, sendo tidas ora como uma ruptura, ora como uma continuidade em relação à adolescência e à vida adulta.

Entre Crianças, Personagens E Monstros é o resultado de uma pesquisa de cunho etnográfico sobre jogos e brincadeiras infantis, feita com crianças da educação infantil e do primeiro segmento do ensino fundamental (de três a sete anos de idade), envolvendo ainda professores, direção da escola e, vez ou outra, pais de alunos.

Tarefa ousada para um jovem antropólogo como Guilherme Fians. Os antropólogos clássicos e vitorianos, ao compararem a mentalidade primitiva com a mentalidade infantil, sugerem que, por não estarem cientes das leis da natureza, os povos primitivos explicam os acontecimentos por leis divinas, e, ao não conseguirem perceber as relações causais de forma clara, estariam se enganando.

De forma similar, as crianças estariam se enganando ao acreditarem em monstros ou ao “acharem” que são super-heróis durante um faz de conta.

Do mesmo modo, para etnografar as brincadeiras infantis, o autor não tem como evitar que a sua pesquisa esbarre, todo o tempo, na tradição ontológica arraigada nas noções do que é “de verdade” e do que é “de mentira”, bem como nas regras instáveis das brincadeiras. Colocado de outra maneira, como escapar das distinções fáceis entre “mundo adulto” e “mundo infantil”? Ou o que é “sério” e o que é de “brincadeira”?

Valendo-se de uma corrente antropológica contemporânea, denominada antropologia simétrica, Entre Crianças, Personagens E Monstros vence com sobras os desafios ao levar realmente a sério os conceitos e práticas que as crianças formulam quando brincam.

Ao levar as crianças a sério, o autor elabora uma antropologia que não é simplesmente “sobre a infância”, mas “da infância”, no sentido em que é escrita “do ponto de vista das crianças”.

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