Francisco Paiva & Catarina Moura (Orgs.) – Designa 2015: Identidade

Identidade reporta ao caráter das coisas, ao conjunto de caraterísticas e atributos que as tornam simultaneamente reconhecíveis e singulares. No campo do design, o conceito de identidade é frequentemente usado no contexto da diferenciação visual ou material de marcas, bens ou serviços, assumindo frequentemente conotações mais extensas no plano cultural. É nesse plano que se situam as exposições ou mostras de produtos representativos das capacidades criativas ou industriais de determinado sector, comunidade ou país. As políticas públicas do design estabelecem-se frequentemente e quase exclusivamente neste plano da expressão da identidade cultural nacional, no modo como as suas variáveis permanecem e transparecem na criação artística.  Mas a identidade está intimamente ligada à cultura e à memória. Ou seja, no campo antropológico da cultura, a identidade aproxima-se da capacidade de representar, deslocando-se do fixo reconhecimento da tradição para a necessária fenomenologia da experiência. O Design é, pois, parte da identidade e tem a suas próprias caraterísticas identitárias, que respondem à inquietude das pessoas e lhes permitem reconhecer-se no mundo contemporâneo. Este Design serve as identidades, ou seja, denota a capacidade de interpretar e exteriorizar o caráter dos seus utilizadores ou destinatários.  A questão da identidade intui-se bastante complexa. Os artistas em geral percebem que toda a identidade é uma construção e geralmente fogem da evidência da identidade pelo que ela comporta de estereótipo, com consciência do desempenho da criação para a formalização de determinadas identidades e sua comunicação. Em paralelo ao escopo da perpetuação, a Arte tem ajudado a desvelar identidades ocultas, muitas vezes celebrando-as e coadjuvando na assunção de centralidades outrora esquecidas. Tal acontece, por exemplo, com o desempenho simbólico dos sistemas de representação visual, com a recuperação ou adequação das matrizes tipográficas em uso noutras épocas ou com as bases da produtos industriais ou partidos tipológicos do edificado, quando aplicados a funções contemporâneas ou em diálogo com a criação dos nossos dias.  A identidade enquanto cosmogonia, modo de ver e de fazer as coisas encerra  muitas contradições. A identificação das comunidades com os modos de entretenimento e de alienação massificados é determinante na formulação das identidades. O consumo de bens e serviços e a interação com os media, os videojogos e outros meios massificados de excitação visual aprofundam os fenómenos de empatia e de popularidade que convocam as comunidades a identificarem-se com determinadas narrativas e a desenvolverem modos de reação padronizados. A cultura do consumo e do espetáculo é determinante para a construção da identidade contemporânea. Uma identidade híbrida e tendencialmente global que coexiste, com inúmeras variações de grau, com outras identidades locais.  As identidades têm sido ao longo da história motivo de grandes conflitos. No atual momento de grandes incertezas é um objeto de investigação prioritário, pela conjugação que opera entre, por um lado os mitos e as suas representações e, por outro os riscos da vanguarda, cujas sombras ideológicas encerram potenciais paradoxos, polémicas e discussões no que concerne à produção cultural. A reflexão sobre a essência está condicionada pelas propriedades e depende do contexto, da linguagem e da simbólica, convoca conceitos, estruturas e dinâmicas que importa compreender. A pergunta pela identidade será, pois, o pretexto da discussão e encontro que propomos fazer nesta 5ª edição da DESIGNA.


Deixe uma resposta

Francisco Paiva & Catarina Moura (Orgs.) – Designa 2015: Identidade

Identidade reporta ao caráter das coisas, ao conjunto de caraterísticas e atributos que as tornam simultaneamente reconhecíveis e singulares. No campo do design, o conceito de identidade é frequentemente usado no contexto da diferenciação visual ou material de marcas, bens ou serviços, assumindo frequentemente conotações mais extensas no plano cultural. É nesse plano que se situam as exposições ou mostras de produtos representativos das capacidades criativas ou industriais de determinado sector, comunidade ou país. As políticas públicas do design estabelecem-se frequentemente e quase exclusivamente neste plano da expressão da identidade cultural nacional, no modo como as suas variáveis permanecem e transparecem na criação artística.  Mas a identidade está intimamente ligada à cultura e à memória. Ou seja, no campo antropológico da cultura, a identidade aproxima-se da capacidade de representar, deslocando-se do fixo reconhecimento da tradição para a necessária fenomenologia da experiência. O Design é, pois, parte da identidade e tem a suas próprias caraterísticas identitárias, que respondem à inquietude das pessoas e lhes permitem reconhecer-se no mundo contemporâneo. Este Design serve as identidades, ou seja, denota a capacidade de interpretar e exteriorizar o caráter dos seus utilizadores ou destinatários.  A questão da identidade intui-se bastante complexa. Os artistas em geral percebem que toda a identidade é uma construção e geralmente fogem da evidência da identidade pelo que ela comporta de estereótipo, com consciência do desempenho da criação para a formalização de determinadas identidades e sua comunicação. Em paralelo ao escopo da perpetuação, a Arte tem ajudado a desvelar identidades ocultas, muitas vezes celebrando-as e coadjuvando na assunção de centralidades outrora esquecidas. Tal acontece, por exemplo, com o desempenho simbólico dos sistemas de representação visual, com a recuperação ou adequação das matrizes tipográficas em uso noutras épocas ou com as bases da produtos industriais ou partidos tipológicos do edificado, quando aplicados a funções contemporâneas ou em diálogo com a criação dos nossos dias.  A identidade enquanto cosmogonia, modo de ver e de fazer as coisas encerra  muitas contradições. A identificação das comunidades com os modos de entretenimento e de alienação massificados é determinante na formulação das identidades. O consumo de bens e serviços e a interação com os media, os videojogos e outros meios massificados de excitação visual aprofundam os fenómenos de empatia e de popularidade que convocam as comunidades a identificarem-se com determinadas narrativas e a desenvolverem modos de reação padronizados. A cultura do consumo e do espetáculo é determinante para a construção da identidade contemporânea. Uma identidade híbrida e tendencialmente global que coexiste, com inúmeras variações de grau, com outras identidades locais.  As identidades têm sido ao longo da história motivo de grandes conflitos. No atual momento de grandes incertezas é um objeto de investigação prioritário, pela conjugação que opera entre, por um lado os mitos e as suas representações e, por outro os riscos da vanguarda, cujas sombras ideológicas encerram potenciais paradoxos, polémicas e discussões no que concerne à produção cultural. A reflexão sobre a essência está condicionada pelas propriedades e depende do contexto, da linguagem e da simbólica, convoca conceitos, estruturas e dinâmicas que importa compreender. A pergunta pela identidade será, pois, o pretexto da discussão e encontro que propomos fazer nesta 5ª edição da DESIGNA.


Deixe uma resposta


Desenvolvido pela Quanta Comunicação