Elena Rzhevskaya – O Fim De Hitler

O Fim De Hitler: testemunho da queda do Terceiro Reich por quem esteve na vanguarda das forças que libertaram a humanidade do nazismo.

Elena Rzhevskaya – O Fim De Hitler

Este impressionante testemunho militar da queda do Terceiro Reich, dado por quem esteve na vanguarda das forças que libertaram a humanidade do pesadelo nazista, por mais que empolgue e arrebate o leitor brasileiro, retendo-o nas malhas de sua narrativa, que oscila entre os pólos do trágico e do épico, não poderá elidir o problema fundamental que hoje está, de novo, colocado à nossa frente, e com o qual diariamente nos defrontamos, numa confrontação que tem o significado do maior desafio já lançado ao homem: a afronta que envolve o destino da espécie humana e a própria sorte da vida sobre a terra.

Melhor, mais fecundo e mais útil do que antecipar o conteúdo terrível deste livro, em que a veracidade dos fatos toca as raias do inverossímil, tal a brutalidade selvagem de que se revestem, parece-nos ser, nesta hora brasileira, chamar a atenção do leitor para o seu significado mais profundo, um significado que já ameaça de atingir os próprios fundamentos da civilização brasileira, como atinge a outros povos, em outras partes do mundo.

Acompanhando linha por linha o relato de Elena Rzhevskaia sobre o fim de Hitler, uma pergunta levanta-se das páginas do livro, impondo-se à nossa angústia, à nossa perplexidade e à nossa esperança: acabou realmente Hitler?

A euforia produzida pela queda militar do nazismo, que lavou o coração humano da vilania dos fornos crematórios e dos campos de concentração, do terror dos massacres, do festival da morte em inaudita escala, deu a muitos a justificada ilusão de que realmente acabara o nazismo — o hitlerismo chegará ao seu fim.

Fim não apenas de Hitler, carisma do soturno e profeta de trogloditas, mas também de sua sufocante ideologia e, sobretudo, os neuróticos métodos de opressão política. Política só?

Não, de tiranização humana, de esmagamento de todas as vias, materiais e espirituais, em que se procurasse manifestar e expandir o mínimo de humano que há no homem.

Mas esta esperança de que já se incorporará integralmente ao passado histórico a tôrva experiência hitlerista, esperança acalentada por uma grande parte da humanidade sofridamente ansiosa pela abertura de uma era de liberdade e paz, logo se desfez, mal terminada a guerra.

Um ano após o término do conflito, em Fulton já aqueles generosos sonhos eram destruídos. E de lá para cá, a humanidade transida não tem assistido outra coisa senão a ameaça da ressurreição de Hitler, tanto no campo internacional, quanto na vida interna de muitos países, sobretudo e, paradoxalmente, nas esferas do chamado Terceiro Mundo — aquele precisamente que mais luta pela liberdade e a fraternidade humanas.

A parte do mundo ventagonizado, que desfila com a sua inenarrável tragédia diante dos nossos olhos, quando não nos atinge diretamente em nossas próprias vidas, não é senão o palco em que ressurge o fantasma de Hitler, o proscênio em que o seu espectro tenta mais uma reencarnação.

Fim de Hitler? Ocorreu o militar, mas não o ideológico. É preciso que este outro suceda, para que finalmente, se complete a queda do Terceiro Reich. Ocorra, efetivamente, o fim de Hitler.

Este é o problema profundo que O Fim De Hitler propõe aos seus leitores, nesta era de brontossauros ressurgentes. Daí a sua importância, que se justifica com a advertência católica, ecumênica, do Padre Teilhard de Chardin, quando nos diz que o pior inimigo do homem é o niilismo fascista, porque ele é uma “recaída no neolítico”.


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Elena Rzhevskaya – O Fim De Hitler

O Fim De Hitler: testemunho da queda do Terceiro Reich por quem esteve na vanguarda das forças que libertaram a humanidade do nazismo.

Elena Rzhevskaya - O Fim De Hitler

Este impressionante testemunho militar da queda do Terceiro Reich, dado por quem esteve na vanguarda das forças que libertaram a humanidade do pesadelo nazista, por mais que empolgue e arrebate o leitor brasileiro, retendo-o nas malhas de sua narrativa, que oscila entre os pólos do trágico e do épico, não poderá elidir o problema fundamental que hoje está, de novo, colocado à nossa frente, e com o qual diariamente nos defrontamos, numa confrontação que tem o significado do maior desafio já lançado ao homem: a afronta que envolve o destino da espécie humana e a própria sorte da vida sobre a terra.

Melhor, mais fecundo e mais útil do que antecipar o conteúdo terrível deste livro, em que a veracidade dos fatos toca as raias do inverossímil, tal a brutalidade selvagem de que se revestem, parece-nos ser, nesta hora brasileira, chamar a atenção do leitor para o seu significado mais profundo, um significado que já ameaça de atingir os próprios fundamentos da civilização brasileira, como atinge a outros povos, em outras partes do mundo.

Acompanhando linha por linha o relato de Elena Rzhevskaia sobre o fim de Hitler, uma pergunta levanta-se das páginas do livro, impondo-se à nossa angústia, à nossa perplexidade e à nossa esperança: acabou realmente Hitler?

A euforia produzida pela queda militar do nazismo, que lavou o coração humano da vilania dos fornos crematórios e dos campos de concentração, do terror dos massacres, do festival da morte em inaudita escala, deu a muitos a justificada ilusão de que realmente acabara o nazismo — o hitlerismo chegará ao seu fim.

Fim não apenas de Hitler, carisma do soturno e profeta de trogloditas, mas também de sua sufocante ideologia e, sobretudo, os neuróticos métodos de opressão política. Política só?

Não, de tiranização humana, de esmagamento de todas as vias, materiais e espirituais, em que se procurasse manifestar e expandir o mínimo de humano que há no homem.

Mas esta esperança de que já se incorporará integralmente ao passado histórico a tôrva experiência hitlerista, esperança acalentada por uma grande parte da humanidade sofridamente ansiosa pela abertura de uma era de liberdade e paz, logo se desfez, mal terminada a guerra.

Um ano após o término do conflito, em Fulton já aqueles generosos sonhos eram destruídos. E de lá para cá, a humanidade transida não tem assistido outra coisa senão a ameaça da ressurreição de Hitler, tanto no campo internacional, quanto na vida interna de muitos países, sobretudo e, paradoxalmente, nas esferas do chamado Terceiro Mundo — aquele precisamente que mais luta pela liberdade e a fraternidade humanas.

A parte do mundo ventagonizado, que desfila com a sua inenarrável tragédia diante dos nossos olhos, quando não nos atinge diretamente em nossas próprias vidas, não é senão o palco em que ressurge o fantasma de Hitler, o proscênio em que o seu espectro tenta mais uma reencarnação.

Fim de Hitler? Ocorreu o militar, mas não o ideológico. É preciso que este outro suceda, para que finalmente, se complete a queda do Terceiro Reich. Ocorra, efetivamente, o fim de Hitler.

Este é o problema profundo que O Fim De Hitler propõe aos seus leitores, nesta era de brontossauros ressurgentes. Daí a sua importância, que se justifica com a advertência católica, ecumênica, do Padre Teilhard de Chardin, quando nos diz que o pior inimigo do homem é o niilismo fascista, porque ele é uma “recaída no neolítico”.


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