Edgar Morin – Minha Paris, Minha Memória

Edgar Morin - Minha Paris, Minha Memória: A cidade luz da 2ª Guerra Mundial a maio de 68 por um dos maiores filósofos franceses.

Edgar Morin – Minha Paris, Minha Memória

A cidade luz da 2ª Guerra Mundial a maio de 68 por um dos maiores filósofos franceses.

Em junho de 2012, depois de receber das mãos do prefeito Bertrand Delanoë a mais alta condecoração de Paris, Edgar Morin proferiu o discurso de agradecimento que acabou despertando nele o desejo de escrever suas memórias, que tiveram na Cidade-Luz palco e protagonista.

Em Minha Paris, Minha Memória, o filósofo-sociólogo narra suas tribulações pelos diferentes bairros da capital francesa e nos convida a fazer parte de sua história sobre a História. Eventos como a Resistência Francesa, a guerra da Argélia e o Maio de 68 são descritos de maneira vívida e autêntica por este jovem nonagenário, celebrado e traduzido no mundo inteiro.

“Eu nasci em Paris a 8 de julho de 1921, na rue Mayran, 9° arrondissement, ao pé da colina de Montmartre. Essa ruazinha em ligeira inclinação liga a praça Montholon à rue Rochechouart, que, a partir da rue La Fayette, sobe até o boulevard de Rochechouart.

Adolescente vivendo em Salônica, cidade sefardita francófona e francófila do Império Otomano no início do século XX, meu pai aprendera canções do caf’conc’,a como as de Mayol (Cousine, Viens Poupoule, Les Mains de femme…). Nutria verdadeiro culto por Paris.

Em seu diário íntimo, ele escrevera aos 14 anos: “Paris, Paris, quando é que serei um dos teus habitantes?” E estava constantemente cantando melodias como Ah, qu’il était beau, mon village ou Paris, ô ville infâme et merveilleuse…, que o deixavam infinitamente feliz.

Sabia de cor todas as cantigas estilo 1900 sobre Paris, e, tendo-se tornado parisiense, como passava o dia inteiro cantando como um pardal, continuava a entoá-las incansavelmente.

E eu, saindo da infância, por minha vez também cantava “Paris, ó cidade infame e maravilhosa”, entre tantas outras, inclusive esse refrão que Mistinguett, contemporânea dos meus anos de juventude, nos fazia ouvir numa voz maravilhosamente gasta: “Paris é uma loura! Paris, rainha do mundo…”.”


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Edgar Morin – Minha Paris, Minha Memória

Edgar Morin - Minha Paris, Minha Memória: A cidade luz da 2ª Guerra Mundial a maio de 68 por um dos maiores filósofos franceses.

Edgar Morin - Minha Paris, Minha Memória

A cidade luz da 2ª Guerra Mundial a maio de 68 por um dos maiores filósofos franceses.

Em junho de 2012, depois de receber das mãos do prefeito Bertrand Delanoë a mais alta condecoração de Paris, Edgar Morin proferiu o discurso de agradecimento que acabou despertando nele o desejo de escrever suas memórias, que tiveram na Cidade-Luz palco e protagonista.

Em Minha Paris, Minha Memória, o filósofo-sociólogo narra suas tribulações pelos diferentes bairros da capital francesa e nos convida a fazer parte de sua história sobre a História. Eventos como a Resistência Francesa, a guerra da Argélia e o Maio de 68 são descritos de maneira vívida e autêntica por este jovem nonagenário, celebrado e traduzido no mundo inteiro.

"Eu nasci em Paris a 8 de julho de 1921, na rue Mayran, 9° arrondissement, ao pé da colina de Montmartre. Essa ruazinha em ligeira inclinação liga a praça Montholon à rue Rochechouart, que, a partir da rue La Fayette, sobe até o boulevard de Rochechouart.

Adolescente vivendo em Salônica, cidade sefardita francófona e francófila do Império Otomano no início do século XX, meu pai aprendera canções do caf’conc’,a como as de Mayol (Cousine, Viens Poupoule, Les Mains de femme…). Nutria verdadeiro culto por Paris.

Em seu diário íntimo, ele escrevera aos 14 anos: “Paris, Paris, quando é que serei um dos teus habitantes?” E estava constantemente cantando melodias como Ah, qu’il était beau, mon village ou Paris, ô ville infâme et merveilleuse…, que o deixavam infinitamente feliz.

Sabia de cor todas as cantigas estilo 1900 sobre Paris, e, tendo-se tornado parisiense, como passava o dia inteiro cantando como um pardal, continuava a entoá-las incansavelmente.

E eu, saindo da infância, por minha vez também cantava “Paris, ó cidade infame e maravilhosa”, entre tantas outras, inclusive esse refrão que Mistinguett, contemporânea dos meus anos de juventude, nos fazia ouvir numa voz maravilhosamente gasta: “Paris é uma loura! Paris, rainha do mundo…”."


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