Dean Burnett – O Cérebro Que Não Sabia De Nada

Em O cérebro que não sabia de nada, Dean Burnett celebra de maneira divertida as muitas falhas cometidas pela mente humana.

Dean Burnett – O Cérebro Que Não Sabia De Nada

Este livro começa como quase todas as minhas interações sociais: com uma série de detalhados e cuidadosos pedidos de desculpa.

Em primeiro lugar, se você terminar de ler este livro e não gostar dele, lamento. É impossível produzir qualquer coisa que agrade a todo mundo. Se eu fosse capaz disso, a esta altura seria o líder democraticamente eleito do mundo.

Para mim, os temas abordados neste livro, focados nos estranhos e peculiares processos do cérebro e nos ilógicos comportamentos que eles produzem, são infinitamente fascinantes.

Por exemplo, você sabia que sua memória é egoísta? Talvez você pense que ela é um registro preciso das coisas que lhe aconteceram ou que você aprendeu, mas não é.

Sua memória muitas vezes distorce e ajusta a informação que armazena para fazer você parecer melhor do que é, como uma mãe coruja que elogia o maravilhoso desempenho de seu filhinho Timmy na peça escolar, embora ele só tenha ficado ali parado, cutucando o nariz e babando.

E o que pensar da afirmação de que o estresse, na verdade, melhora o desempenho de uma tarefa? Trata-se de um processo neurológico, e não apenas de “algo que se costuma dizer”. Os prazos são uma das maneiras mais comuns de induzir o estresse e melhorar o desempenho. Portanto, se a qualidade melhorar nos últimos capítulos deste livro, você já sabe o motivo.

Em segundo lugar, embora este livro seja, tecnicamente, científico, se você estiver esperando uma discussão sóbria sobre o cérebro e seu funcionamento, desculpe. Não é isso que você vai achar.

Não tive uma formação científica “tradicional”; fui o primeiro de minha família a pensar em ir para a universidade, quanto mais ir de verdade, ficar nela e acabar com um doutorado.

Foram essas estranhas inclinações acadêmicas, totalmente diferentes das de meus parentes próximos, que me levaram para a neurociência e para a psicologia, pois eu me perguntava: “Por que sou assim?”. Nunca encontrei uma resposta satisfatória, mas desenvolvi um forte interesse pelo cérebro e seu funcionamento, assim como pela ciência em geral.
A ciência é obra de humanos. De modo geral, os humanos são criaturas confusas, caóticas e ilógicas (muitas vezes, em razão do funcionamento de seu cérebro), e grande parte da ciência reflete isso.

Há muito tempo, alguém decidiu que textos científicos deviam ser sempre elevados e sérios, e isso parece que pegou. A maior parte de minha vida profissional foi dedicada a contrariar essa ideia, e este livro é a mais recente expressão disso.


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Dean Burnett – O Cérebro Que Não Sabia De Nada

Em O cérebro que não sabia de nada, Dean Burnett celebra de maneira divertida as muitas falhas cometidas pela mente humana.

Dean Burnett - O Cérebro Que Não Sabia De Nada

Este livro começa como quase todas as minhas interações sociais: com uma série de detalhados e cuidadosos pedidos de desculpa.

Em primeiro lugar, se você terminar de ler este livro e não gostar dele, lamento. É impossível produzir qualquer coisa que agrade a todo mundo. Se eu fosse capaz disso, a esta altura seria o líder democraticamente eleito do mundo.

Para mim, os temas abordados neste livro, focados nos estranhos e peculiares processos do cérebro e nos ilógicos comportamentos que eles produzem, são infinitamente fascinantes.

Por exemplo, você sabia que sua memória é egoísta? Talvez você pense que ela é um registro preciso das coisas que lhe aconteceram ou que você aprendeu, mas não é.

Sua memória muitas vezes distorce e ajusta a informação que armazena para fazer você parecer melhor do que é, como uma mãe coruja que elogia o maravilhoso desempenho de seu filhinho Timmy na peça escolar, embora ele só tenha ficado ali parado, cutucando o nariz e babando.

E o que pensar da afirmação de que o estresse, na verdade, melhora o desempenho de uma tarefa? Trata-se de um processo neurológico, e não apenas de “algo que se costuma dizer”. Os prazos são uma das maneiras mais comuns de induzir o estresse e melhorar o desempenho. Portanto, se a qualidade melhorar nos últimos capítulos deste livro, você já sabe o motivo.

Em segundo lugar, embora este livro seja, tecnicamente, científico, se você estiver esperando uma discussão sóbria sobre o cérebro e seu funcionamento, desculpe. Não é isso que você vai achar.

Não tive uma formação científica “tradicional”; fui o primeiro de minha família a pensar em ir para a universidade, quanto mais ir de verdade, ficar nela e acabar com um doutorado.

Foram essas estranhas inclinações acadêmicas, totalmente diferentes das de meus parentes próximos, que me levaram para a neurociência e para a psicologia, pois eu me perguntava: “Por que sou assim?”. Nunca encontrei uma resposta satisfatória, mas desenvolvi um forte interesse pelo cérebro e seu funcionamento, assim como pela ciência em geral.
A ciência é obra de humanos. De modo geral, os humanos são criaturas confusas, caóticas e ilógicas (muitas vezes, em razão do funcionamento de seu cérebro), e grande parte da ciência reflete isso.

Há muito tempo, alguém decidiu que textos científicos deviam ser sempre elevados e sérios, e isso parece que pegou. A maior parte de minha vida profissional foi dedicada a contrariar essa ideia, e este livro é a mais recente expressão disso.


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