Ana Cristina Cesar – Crítica E Tradução

Ana Cristina Cesar – Crítica E Tradução

“Tudo pode ser dito no poema, mas na realidade nem tudo pode ser dito.” Quando escreve “na realidade”, o que Ana quer dizer? Ela está sublinhando a negação da primeira frase, como se, de fato, nem tudo pudesse ser dito no poema, ou está opondo a moldura do poema à realidade, lá fora, onde nem tudo pode ser dito?
Quando alguém diz: “Estou mentindo”, pode estar mentindo ou dizendo a verdade. Se estiver dizendo a verdade, estará mentindo duas vezes?
Crítica E Tradução — livro que reúne Literatura não é documento, Escritos no Rio, Escritos da Inglaterra e alguma poesia traduzida — dá mostras não só da inteligência e da profunda sensibilidade da Ana leitora, resenhista e tradutora. Aponta sobretudo para os temas que aparecem na produção da Ana poeta.
Como confirma Maria Lucia de Barros Camargo no minucioso Atrás dos olhos pardos, Ana, em seus ensaios, coloca-se “de viés”: fala “de si, fingindo objetividade e distanciamento crítico”.
Ainda que os assuntos explorados em sua safra teórica sejam muito variados, incluindo cinema documentário, questões de tradução e feminismo na literatura, há alguns pontos que ressoam em muitos textos. Em especial, Ana quer entender quem diz, de onde diz, como diz.
Organizados nas seções “Literatura não é documento”, “Escritos no Rio, Escritos da Inglaterra” e “Alguma poesia traduzida”, os textos críticos que Ana Cristina Cesar escreveu ao longo das décadas de 1970 e 1980 revelam a verve inconfundível da poeta. Entre ensaios combativos sobre o cinema documentário no Brasil, escritores malditos e a participação feminina na poesia nacional, destaca-se a tradução anotada do conto “Bliss”, de Katherine Mansfield, tese que rendeu à Ana o título de Masters of Arts na Universidade de Essex, na Inglaterra, e ainda suas versões para poemas de Sylvia Plath e Emily Dickinson, entre outros. Uma obra essencial para estudiosos de cinema, literatura ou tradução.


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“Tudo pode ser dito no poema, mas na realidade nem tudo pode ser dito.” Quando escreve “na realidade”, o que Ana quer dizer? Ela está sublinhando a negação da primeira frase

, como se, de fato, nem tudo pudesse ser dito no poema, ou está opondo a moldura do poema à realidade, lá fora, onde nem tudo pode ser dito?
Quando alguém diz: “Estou mentindo”, pode estar mentindo ou dizendo a verdade. Se estiver dizendo a verdade, estará mentindo duas vezes?
Crítica E Tradução — livro que reúne Literatura não é documento, Escritos no Rio, Escritos da Inglaterra e alguma poesia traduzida — dá mostras não só da inteligência e da profunda sensibilidade da Ana leitora, resenhista e tradutora. Aponta sobretudo para os temas que aparecem na produção da Ana poeta.
Como confirma Maria Lucia de Barros Camargo no minucioso Atrás dos olhos pardos, Ana, em seus ensaios, coloca-se “de viés”: fala “de si, fingindo objetividade e distanciamento crítico”.
Ainda que os assuntos explorados em sua safra teórica sejam muito variados, incluindo cinema documentário, questões de tradução e feminismo na literatura, há alguns pontos que ressoam em muitos textos. Em especial, Ana quer entender quem diz, de onde diz, como diz.
Organizados nas seções “Literatura não é documento”, “Escritos no Rio, Escritos da Inglaterra” e “Alguma poesia traduzida”, os textos críticos que Ana Cristina Cesar escreveu ao longo das décadas de 1970 e 1980 revelam a verve inconfundível da poeta. Entre ensaios combativos sobre o cinema documentário no Brasil, escritores malditos e a participação feminina na poesia nacional, destaca-se a tradução anotada do conto “Bliss”, de Katherine Mansfield, tese que rendeu à Ana o título de Masters of Arts na Universidade de Essex, na Inglaterra, e ainda suas versões para poemas de Sylvia Plath e Emily Dickinson, entre outros. Uma obra essencial para estudiosos de cinema, literatura ou tradução.


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