Alzira Vargas Do Amaral Peixoto – Getúlio Vargas, Meu Pai

Publicado originalmente em 1960, Getúlio Vargas, Meu Pai narra a vida do político gaúcho entre 1923 e 1937 por sua filha e principal confidente.

Alzira Vargas Do Amaral Peixoto – Getúlio Vargas, Meu Pai

Publicado originalmente em 1960, Getúlio Vargas, Meu Pai narra a vida do político gaúcho entre 1923 e 1937 por sua filha e principal confidente. Indispensável testemunho de uma época, as memórias de Alzira são uma leitura saborosa e surpreendente.

Anos depois, Alzira se dedicou a escrever uma continuação, que não terminou. Esses escritos, até então inéditos, estão na segunda parte deste livro e são um material valioso — descrevem episódios como a morte de Getulinho, irmão mais novo de Alzira; o rompimento do Brasil com o Eixo; ou o grave acidente de automóvel sofrido por Getúlio em 1942.

O estilo de Alzira Vargas escrever era ágil, sem floreios e brocados. Saboreia-se o livro como se ela estivesse entabulando uma conversa informal com o leitor.

Sem travas na língua, a autora reconhece que o próprio pai, muitas vezes, a chamava de “petulante”, devido aos modos despachados de abordar assuntos pessoais e políticos.

“Não estranhem, por favor, o fato de eu tratar meu pai ora por tu, ora por senhor. Fui educada no senhor, como todas as famílias tradicionais de minha terra. Durante anos jamais ousei falar com meu pai de outra maneira. No entanto, aos poucos, com a petulância característica da idade, à medida que me dava mais importância, mais crédito e mais de sua confiança, comecei a tratá-lo por tu”, ilustra.

O Getúlio retratado nessas páginas pode ser surpreendido, a qualquer momento, dando voltas no gabinete, preocupado, imerso em pensamentos silenciosos, as mãos cruzadas atrás das costas, o inseparável charuto fumegando entre os dedos.

Em outros momentos, pode ser flagrado fazendo alguma traquinagem de teor quase infantil, escondendo a máquina de escrever da filha debaixo da mesa, espalhando os papéis pelo chão, bagunçando os livros de Alzira e deixando-os sobre os móveis, com as páginas abertas e desmarcadas. “Nunca me ocorrera que aquele homem tranquilo, sereno, sisudo fosse capaz de travessuras desse porte.”

E aos leitores que se debruçarem sobre esses inestimáveis relatos, não restarão dúvidas: Alzira é também uma grande personagem da história do Brasil.


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Alzira Vargas Do Amaral Peixoto – Getúlio Vargas, Meu Pai

Publicado originalmente em 1960, Getúlio Vargas, Meu Pai narra a vida do político gaúcho entre 1923 e 1937 por sua filha e principal confidente.

Alzira Vargas Do Amaral Peixoto - Getúlio Vargas, Meu Pai

Publicado originalmente em 1960, Getúlio Vargas, Meu Pai narra a vida do político gaúcho entre 1923 e 1937 por sua filha e principal confidente. Indispensável testemunho de uma época, as memórias de Alzira são uma leitura saborosa e surpreendente.

Anos depois, Alzira se dedicou a escrever uma continuação, que não terminou. Esses escritos, até então inéditos, estão na segunda parte deste livro e são um material valioso — descrevem episódios como a morte de Getulinho, irmão mais novo de Alzira; o rompimento do Brasil com o Eixo; ou o grave acidente de automóvel sofrido por Getúlio em 1942.

O estilo de Alzira Vargas escrever era ágil, sem floreios e brocados. Saboreia-se o livro como se ela estivesse entabulando uma conversa informal com o leitor.

Sem travas na língua, a autora reconhece que o próprio pai, muitas vezes, a chamava de “petulante”, devido aos modos despachados de abordar assuntos pessoais e políticos.

“Não estranhem, por favor, o fato de eu tratar meu pai ora por tu, ora por senhor. Fui educada no senhor, como todas as famílias tradicionais de minha terra. Durante anos jamais ousei falar com meu pai de outra maneira. No entanto, aos poucos, com a petulância característica da idade, à medida que me dava mais importância, mais crédito e mais de sua confiança, comecei a tratá-lo por tu”, ilustra.

O Getúlio retratado nessas páginas pode ser surpreendido, a qualquer momento, dando voltas no gabinete, preocupado, imerso em pensamentos silenciosos, as mãos cruzadas atrás das costas, o inseparável charuto fumegando entre os dedos.

Em outros momentos, pode ser flagrado fazendo alguma traquinagem de teor quase infantil, escondendo a máquina de escrever da filha debaixo da mesa, espalhando os papéis pelo chão, bagunçando os livros de Alzira e deixando-os sobre os móveis, com as páginas abertas e desmarcadas. “Nunca me ocorrera que aquele homem tranquilo, sereno, sisudo fosse capaz de travessuras desse porte.”

E aos leitores que se debruçarem sobre esses inestimáveis relatos, não restarão dúvidas: Alzira é também uma grande personagem da história do Brasil.


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