Aline Cecília Ximenes De Andrade (Org.) – Cartas Para O Futuro

Estas Cartas Para O Futuro aqui reunidas são, sem dúvida, uma reunião de diversos olhares para um contexto incomum.

Aline Cecília Ximenes De Andrade (Org.) – Cartas Para O Futuro: Aprendizados De Um Período De Pandemia

Estas Cartas Para O Futuro são, sem dúvida, uma reunião de diversos olhares para um contexto incomum. É certo que, historicamente, o ano de 2020 ficará gravado na memória de todos que o vivenciaram, devido à peste que acometeu o mundo. No entanto, para que esta experiência vivida não se perca no tempo e no espaço, nada melhor do que eternizá-la por meio da linguagem escrita, afinal, parece que essa prática intelectual tem atravessado bem as crises mundiais!

A decisão da Editora IFPR em escolher o gênero epistolar (a famosa reunião de cartas) para compartilhar os aprendizados que os jovens estudantes do Instituto Federal do Paraná experimentaram durante a pandemia de 2020 foi muito acertada e, como escritora e docente da instituição, enxerguei nesta proposta uma oportunidade maravilhosa para o trabalho remoto com as turmas do câmpus em que atuo.

Em julho de 2020, propus Atividades Pedagógicas Não-Presenciais para os estudantes calouros dos cursos de Ensino Médio Técnico, e escolhi como objeto de estudo a obra poética de Paulo Leminski. Deste modo, como primeira ação para que entrássemos no gênero carta, ampliei o repertório de leitura dos discentes, oferecendo duas missivas trocadas entre o poeta curitibano e outros escritores.

Na sequência, abrimos também um fórum de discussão sobre o gênero carta e sua (r)existência no século XXI, que revelou que, a despeito da invasão de outros meios de comunicação mais ágeis, a carta continua resistindo, demonstrando sua necessidade.

Os estudantes, munidos de repertório de leitura e com muito assunto sobre 2020 a relatar em suas cartas, dedicaram-se a essa produção textual e tivemos como resultado mais de 50 produções entregues no prazo, o que foi considerado muito surpreendente, diante do contexto inicial do ensino remoto.

O trabalho de orientação e devolutiva dessas produções, a alegria de ler o que sentiam nossos estudantes, todos calouros, e os encontros (ainda que virtuais) que realizamos para que essas cartas fossem publicadas (no livro ou na revista Ciência é minha praia) certamente nos aproximaram mais e amenizaram a angústia que este isolamento social tem nos causado.

Por isso, caro leitor, tenho cá para mim que ler estas Cartas Para O Futuro pode ajudá-lo a também perceber que não está sozinho e, ainda que este nosso contato se dê em tempos mais felizes, em que o isolamento social não seja necessário, estou certa de que você encontrará nesta leitura a memória de seres de coragem.

Afinal, já dizia Riobaldo, personagem de Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa: “Viver é muito perigoso”. Viver é travessia. Mergulhar nessas cartas é alento! Escrever é um ato de resistência e eu parabenizo a todos os estudantes do IFPR por ousar refletir em tempos
sombrios.


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Aline Cecília Ximenes De Andrade (Org.) – Cartas Para O Futuro

Estas Cartas Para O Futuro aqui reunidas são, sem dúvida, uma reunião de diversos olhares para um contexto incomum.

Aline Cecília Ximenes De Andrade (Org.) - Cartas Para O Futuro: Aprendizados De Um Período De Pandemia

Estas Cartas Para O Futuro são, sem dúvida, uma reunião de diversos olhares para um contexto incomum. É certo que, historicamente, o ano de 2020 ficará gravado na memória de todos que o vivenciaram, devido à peste que acometeu o mundo. No entanto, para que esta experiência vivida não se perca no tempo e no espaço, nada melhor do que eternizá-la por meio da linguagem escrita, afinal, parece que essa prática intelectual tem atravessado bem as crises mundiais!

A decisão da Editora IFPR em escolher o gênero epistolar (a famosa reunião de cartas) para compartilhar os aprendizados que os jovens estudantes do Instituto Federal do Paraná experimentaram durante a pandemia de 2020 foi muito acertada e, como escritora e docente da instituição, enxerguei nesta proposta uma oportunidade maravilhosa para o trabalho remoto com as turmas do câmpus em que atuo.

Em julho de 2020, propus Atividades Pedagógicas Não-Presenciais para os estudantes calouros dos cursos de Ensino Médio Técnico, e escolhi como objeto de estudo a obra poética de Paulo Leminski. Deste modo, como primeira ação para que entrássemos no gênero carta, ampliei o repertório de leitura dos discentes, oferecendo duas missivas trocadas entre o poeta curitibano e outros escritores.

Na sequência, abrimos também um fórum de discussão sobre o gênero carta e sua (r)existência no século XXI, que revelou que, a despeito da invasão de outros meios de comunicação mais ágeis, a carta continua resistindo, demonstrando sua necessidade.

Os estudantes, munidos de repertório de leitura e com muito assunto sobre 2020 a relatar em suas cartas, dedicaram-se a essa produção textual e tivemos como resultado mais de 50 produções entregues no prazo, o que foi considerado muito surpreendente, diante do contexto inicial do ensino remoto.

O trabalho de orientação e devolutiva dessas produções, a alegria de ler o que sentiam nossos estudantes, todos calouros, e os encontros (ainda que virtuais) que realizamos para que essas cartas fossem publicadas (no livro ou na revista Ciência é minha praia) certamente nos aproximaram mais e amenizaram a angústia que este isolamento social tem nos causado.

Por isso, caro leitor, tenho cá para mim que ler estas Cartas Para O Futuro pode ajudá-lo a também perceber que não está sozinho e, ainda que este nosso contato se dê em tempos mais felizes, em que o isolamento social não seja necessário, estou certa de que você encontrará nesta leitura a memória de seres de coragem.

Afinal, já dizia Riobaldo, personagem de Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa: “Viver é muito perigoso”. Viver é travessia. Mergulhar nessas cartas é alento! Escrever é um ato de resistência e eu parabenizo a todos os estudantes do IFPR por ousar refletir em tempos
sombrios.


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