Ao ler, de Spinoza, o Tratado político do direito natural, bem como o Tratado Teológico-Político, sem dúvida vocês encontrarão neles todas as condições para uma República, e sem dúvida me perdoarão também por ter considerado Spinoza como o radical puro.
É surpreendente que tanto o jacobino puro, quanto o monge puro, seja o mesmo personagem em Spinoza, tantas vezes e tão em vão amaldiçoado. Podemos perceber o uso que se pode fazer de Spinoza.
Sem dúvida, ficaremos surpresos com a potência desse resumo tão sábio, que forma o corpo da presente pequena obra. Sim, mas e a alma? Encontramos mais alma nos perseguidores, nos guerreiros, em todos os personagens Gloriosos da História, do que no Judeu estudioso que, não obstante, será levado a carregar pelas ruas o cartaz que Spinoza utilizou para denunciar todos os tiranos.
A questão está então claramente posta. Pois temos que preferir a justiça e vingar o inocente. É quase impossível não me surpreender ao ver a imponente massa de padres e fiéis, enfim, toda a Igreja, a praticar tantas vezes o contrário e a confirmar a escravidão universal.
Algumas vezes eu disse que a filosofia é muito perigosa. Por isso, nenhum homem foi mais refutado do que Spinoza. Nenhum sistema foi mais amaldiçoado que esse detestável panteísmo. Falta, porém, saber o que é.
Porque Deus é uno e indivisível, Deus está presente em toda parte; como de resto é isto o que é ensinado. Mas coitado daquele que a ensina. E o jesuíta eterno nos lembra de que não devemos dizê-lo.
Quando tiver considerado suficientemente todas essas contradições, que causam a guerra entre nós, então irá copiar a Ética do início ao fim, porque é por aí que é preciso começar se quiser experimentar essa beleza bíblica, modelo de toda grandeza.