Adriano Gray Caldas – As Dobras Do Tempo

Adriano Gray Caldas – As Dobras Do Tempo

A obra reúne poemas do escritor Adriano Gray Caldas e divide-se em quatro partes: o livro da memória e das dobras do tempo, o livro da solidão e das canções de amor, o livro das oblações diurnas e da música do universo e o livro da linguagem e os signos da memória.

O design editorial, que destaca o trabalho manual em papel, foi desenvolvido por Ian Medeiros.

Caro Adriano: neste mês de fevereiro, no seu quase começo, olhei sua casa — que a revejo a qualquer instante, pois moro em apartamento que me traz de volta toda a mansuetude de seu tamanho ilimitado — e a vi encoberta do pleno luar intenso, na luz que alumiava todo o espaço do bairro de Petrópolis.

E li e reli seus poemas de As Dobras Do Tempo para exatamente sentir que também conheço essa casa há 40 anos. E o tom de lírica e profunda ligação dela com você não resulta de ter sido apenas a casa de sua infância.

Mas um tanto o território também de outros, da minha própria adolescência, quando ia visitar seu pai, Dorian Gray Caldas, vendo e revendo seus avós, Elói e Ninfa, como se tudo fosse agora acontecido; e esse clarão carrega um clima de bem-estar espiritual, de natural emoção de reencontro.

De descoberta de todas as coisas que anotamos no subconsciente; e as levamos, inteiras, pela vida afora, anotações que se fixam na memória afetiva — que exulta e exalta.

O porquê de estarmos aqui, nesse momento de crise, com a revisão de valores em todos os quadrantes do pensamento, vai encontrar você, Adriano, preparado com a Poesia na sua “entente” com a adversidade planetária.

Mas humano, profundamente humano, não se encastela e confessa: “Vejo o abismo ao meu redor, ajoelho-me e choro”.

Será você daqui, produto das horas idas e vividas, comparsas da mediocridade intelectual, de um sentir de banalidades? Não.

Você carrega o destino como um ser em trânsito, na busca do mistério que a Vida sopra somente para os que não nasceram e não quiseram usufruir o dia a dia sucedâneo, e foi além: sua trajetória tem sido a de um estudioso de disciplinas que formam a base acadêmica, de um saber comprovado pela vida teórica, mas, ao mesmo tempo, alguém que se sabe encaminhado em outras direções, e explica: “Aqui estou/uma vez mais,/ sozinho diante/ deste sentimento tão desdenhoso/ do mundo”.


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Adriano Gray Caldas – As Dobras Do Tempo

Adriano Gray Caldas - As Dobras Do Tempo

A obra reúne poemas do escritor Adriano Gray Caldas e divide-se em quatro partes: o livro da memória e das dobras do tempo, o livro da solidão e das canções de amor, o livro das oblações diurnas e da música do universo e o livro da linguagem e os signos da memória.

O design editorial, que destaca o trabalho manual em papel, foi desenvolvido por Ian Medeiros.

Caro Adriano: neste mês de fevereiro, no seu quase começo, olhei sua casa — que a revejo a qualquer instante, pois moro em apartamento que me traz de volta toda a mansuetude de seu tamanho ilimitado — e a vi encoberta do pleno luar intenso, na luz que alumiava todo o espaço do bairro de Petrópolis.

E li e reli seus poemas de As Dobras Do Tempo para exatamente sentir que também conheço essa casa há 40 anos. E o tom de lírica e profunda ligação dela com você não resulta de ter sido apenas a casa de sua infância.

Mas um tanto o território também de outros, da minha própria adolescência, quando ia visitar seu pai, Dorian Gray Caldas, vendo e revendo seus avós, Elói e Ninfa, como se tudo fosse agora acontecido; e esse clarão carrega um clima de bem-estar espiritual, de natural emoção de reencontro.

De descoberta de todas as coisas que anotamos no subconsciente; e as levamos, inteiras, pela vida afora, anotações que se fixam na memória afetiva — que exulta e exalta.

O porquê de estarmos aqui, nesse momento de crise, com a revisão de valores em todos os quadrantes do pensamento, vai encontrar você, Adriano, preparado com a Poesia na sua “entente” com a adversidade planetária.

Mas humano, profundamente humano, não se encastela e confessa: “Vejo o abismo ao meu redor, ajoelho-me e choro”.

Será você daqui, produto das horas idas e vividas, comparsas da mediocridade intelectual, de um sentir de banalidades? Não.

Você carrega o destino como um ser em trânsito, na busca do mistério que a Vida sopra somente para os que não nasceram e não quiseram usufruir o dia a dia sucedâneo, e foi além: sua trajetória tem sido a de um estudioso de disciplinas que formam a base acadêmica, de um saber comprovado pela vida teórica, mas, ao mesmo tempo, alguém que se sabe encaminhado em outras direções, e explica: “Aqui estou/uma vez mais,/ sozinho diante/ deste sentimento tão desdenhoso/ do mundo”.


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