Jean-Paul Sartre – Esboço Para Uma Teoria Das Emoções

Obra da juventude de Sartre, Esboço Para Uma Teoria Das Emoções foi publicada em 1939, mesmo ano da coletânea de contos O Muro, e um ano após a publicação do romance A Náusea, que o tornou um escritor célebre.

Trata-se de uma primeira abordagem fenomenológica, influenciada pelo pensamento de Heidegger, Husserl, que busca compreender o fenômeno humano dos sentimentos como experiências da subjetividade desvinculadas de teorias.

Tal era, por exemplo, a crítica de Sartre à utilização da ideia de inconsciente pela psicologia empírica. Esboço Para Uma Teoria Das Emoções, uma bela introdução à filosofia sartriana, apresenta as linhas de pensamento que o autor desenvolveria e aprofundaria posteriormente, sobretudo em sua principal obra filosófica, O ser e o nada.

O título da Introdução do Esboço Para Uma Teoria Das Emoções expressa algumas das pretensões elementares de Sartre. “Psicologia, Fenomenologia e Psicologia Fenomenológica”.

Ele discute o problema da positividade da Psicologia, o apelo ao dado experimental e os métodos que os psicólogos utilizam.

Faz algumas considerações acerca do Behaviorismo citando uma obra de Naville que aborda esta corrente psicológica. Nesta mesma Introdução, no entanto, Sartre lança mão de um termo que é, até certo ponto, enigmático, ele faz uso do termo Antropologia, disciplina que, no seu entendimento, “visa definir a essência do homem e a condição humana”.

A contraposição feita entre os métodos positivos e empiristas da psicologia, segundo Sartre, não poderia constituir o modo de proceder desta Antropologia que tomaria como ponto de partida de sua investigação a definição da essência do homem.

Fato e essência seriam, portanto, incompatíveis. Segundo Sartre, a psicologia não teria a intenção de estabelecer uma visão a priori do homem, ou, ao menos, algum traço de semelhança entre os homens.

Mencionando Pierce e a tradição pragmatista, considera que certas perspectivas psicológicas jamais conseguem ver uma unidade na ideia de homem, sendo, no máximo, uma soma de resultados obtidos por meio de experimentos, a ideia de homem seria o “somatório dos fatos verificados que essa idéia permite unificar”. Em suma, haveria na psicologia uma oposição entre fato e essência.

 

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