Ernesto Rodrigues (Org.) – No Próximo Bloco… O Jornalismo Brasileiro Na TV E Na Internet

“A televisão é, de certa forma, avessa ao pensamento. O fluxo de imagens sem hierarquia, a linguagem que estabelece sua sintaxe pela alternância de sensações, a ausência de silêncios; tudo isso conspira contra o pensar. O que, aliás, é justamente um dos grandes atrativos da televisão, ou seja, sua capacidade de amortecer o pensamento, fazer esquecer, alienar, é um dos principais motivos de sua enorme popularidade”.

Com estas palavras, publicadas na Folha de S. Paulo do dia 24 de julho de 2005, a colunista Bia Abramo arremata um artigo em que critica uma tentativa, para ela frustrada, do programa Fantástico, da TV Globo, de tratar do tema Filosofia.

A visão da colunista em relação aos limites de profundidade da televisão, concordemos ou não com ela, é uma espécie de síntese do pensamento que, nas últimas décadas, tem dominado boa parte de nossa intelectualidade e, dentro dela, um grande contingente de jornalistas, teóricos e estudantes de Comunicação.

Os autores deste livro mostram que a televisão, ao contrário do que sugere o pressuposto – e como qualquer outro veículo de comunicação –, não nasce com pecado original.

Eles demonstram que, a exemplo do que ocorreu ao longo do desenvolvimento da imprensa escrita, hoje sitiada por crises agudas de mercado e de identidade, os fatores determinantes da profundidade, do alcance e da importância histórica e cultural da televisão são, ao menos no que se refere ao jornalismo, a capacidade que os jornalistas tenham de entendê-la e utilizá-la, as condições tecnológicas que adquiram para operá-la, o grau de liberdade que conquistem para explorá-la e a criatividade que ousem ter para transformá-la.

 

Caneca Fusquinha Livr’Andante | Borda & Alça Colorida

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