Eric Williams – Capitalismo E Escravidão

Num dos trabalhos historiográficos mais importantes do século XX, Eric Williams expõe tese que se tornou clássica para entender a gênese do mundo moderno: o complexo escravista atlântico foi essencial para a capitalização que permitiu o arranque industrial inglês na virada do século XVIII para o XIX.

Publicado originalmente em 1944, Capitalismo E Escravidão foi trabalho pioneiro em articular a análise sobre a formação do capitalismo industrial na Inglaterra à exploração dos africanos escravizados nas propriedades rurais do Novo Mundo.

Embalado por uma pesquisa sólida e densa, fruto da tese de doutorado defendida anos antes em Oxford, Williams procurou derrubar os alicerces de uma interpretação canônica da história, produzida nas veneráveis universidades britânicas, que há longo tempo vinha servindo para a legitimação ideológica do império onde o sol nunca se punha.

Ao adotar uma perspectiva profundamente inovadora, capaz de apontar como os processos históricos desenrolados no espaço atlântico constituíram uma unidade orgânica, Williams inscreveu a escravidão negra no cerne da gênese do mundo moderno.

Dividida em doze capítulos, a tese de doutorado concentrou-se no período de 1783 a 1838, examinando o declínio da importância econômica das Índias Ocidentais para o império britânico após a Revolução Americana; o crescimento do tráfico negreiro e da escravidão em Saint-Domingue; as tentativas de conquista britânica da colônia francesa durante o curso da revolução escrava; o impacto do fracasso dessa tentativa para a abolição do tráfico transatlântico em 1807; a decadência da produção açucareira do Caribe britânico em face dos demais competidores mundiais; as ameaças das rebeliões escravas de Barbados, Demerara e Jamaica e seus impactos sobre a opinião pública britânica; os limites colocados pelo monopólio das Índias Ocidentais para o avanço das forças capitalistas na metrópole.

Eric Williams nasceu em Trinidad e Tobago e graduou-se em história na Universidade de Oxford, onde defendeu a tese de doutorado que inspirou a redação de Capitalismo E Escravidão. Um dos mais importantes e influentes historiadores da escravidão moderna e do tráfico atlântico, passou depois à vida pública e foi primeiro-ministro de seu país natal.

 

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