Daniela Abreu Matos – Salvador E Suas Comemorações: Memória E Identidade Em Narraticas Oficiais

O livro analisa a construção dos discursos oficiais que emergiram em dois eventos comemorativos com fortes marcas de identidade dos territórios e povo baiano: os aniversários de 400 e 450 anos de fundação da cidade de Salvador e da comparação entre eles, tendo como referência aspectos temáticos e formais relacionados à construção dos eventos.

A análise das narrativas oficiais de comemoração revela pontos de similaridade e pontos de diferenças entre elas.

Os aspectos de diferenças entre os discursos demonstram o diálogo das narrativas identitárias oficiais com os contextos nos quais são produzidas. Nessa direção revelam-se duas Bahias.

Em 1949, a narrativa oficial uma função pedagógica conservadora e procura a reconstituição histórica como fonte de legitimidade. Já a Bahia oficial de 1999 é tipo exportação e tem a diferença como slogan.

Ela é midiática, turística, espetacular, diversa, fragmentada e veloz. O discurso identitário que a caracteriza está assentado na tensão contemporânea local X global e coloca em cena um novo fluxo de narração e novas estratégias de pertencimento ao território que reforçam o tripé cultura-política-comunicação como estruturante das relações sociais no mundo atual.

A necessidade de publicá-lo se deve ao fato de haver registros de construções narrativas que foram acionadas nos dois momentos, carregadas de um imaginário simbólico da época, mas que ainda são sistematicamente apropriadas em variados discursos sejam eles oficiais – formulados pelos poderes públicos, midiáticos e, mesmo, cotidianos.

Nesse sentido, ao partilharmos os registros e interpretações que podem ser feitos a partir desses eventos comemorativos, estamos contribuindo com o mapeamento das narrativas construídas em torno da cidade de Salvador que compõe um texto identitário que é oferecido sistematicamente para representar uma perspectiva simplificadora de identidade baiana.

Essa reflexão procurar revelar as estratégias que o discurso oficial vem empreendendo, desde a década de 40 do século XX até as primeiras décadas do século XXI, para a construção de um texto de baianidade que, de forma geral, esconde as tensões e escamoteia relações de poder e formas de violência.

Reconhecer essas estratégias nos parece fundamental, inclusive, para a elaboração de um lugar de crítica que possibilite a proposição de alternativas, tanto no âmbito oficial das estratégias, quanto no âmbito da ação social, das táticas.

 

Caneca Fusquinha Livr’Andante | Borda & Alça Colorida

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