Ruy Castro – Chega De Saudade: A História E As Histórias Da Bossa Nova
Chega De Saudade reconstitui a vida boêmia e cultural carioca dos tempos da Bossa Nova – boate por boate, tiete por tiete, história por história.
Para compor este fascinante mosaico envolvendo música e comportamento, Ruy Castro ouviu dezenas de seus participantes: compositores, cantores, instrumentistas – além dos amigos e inimigos deles.
O resultado é uma narrativa que se lê como um romance, cheia de paixões e traições, amores e desamores, lances cômicos e trágicos – protagonizados por João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Newton Mendonça, Nara Leão, Carlinhos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Maysa, Johnny Alf, SylvinhaTelles, Elis Regina e pela legião de jovens que eles seduziram com seu charme e suas canções – para sempre.
Seria Juazeiro uma espécie de New Orleans brasileira no ano de 1948? Talvez nem tanto, mas a verdade é que, nos tempos dos alto falantes, do seu Emicles e da amplificadora ou dos avisos que soavam às onze da noite com ameaças de cortes de energia, “Juazeiro era uma cidade de 10 mil habitantes, entre os quais um garoto de dezessete anos que todos chamavam de Joãozinho da Patu“. Um garoto que, mais tarde, iria triunfar com o nome de João Gilberto.
Farnésio Dutra tinha tudo menos um nome de artista, razão pela qual decidiu adotar o muito castiço nome de Dick Farney. Farney viajou em 1946 para os Estados Unidos da América em busca de fama, depois de no Brasil ter caído nas boas graças nacionais após se ter atirado a uma versão de “Copacabana”.
E, se a verdade é que poucos vaticinavam um grande futuro a Farney, este acabou por se tornar uma espécie de Sinatra com sotaque e, se não regressasse ao Brasil em 1948, quem sabe se não se teria tornado um ícone musical de proporções mundiais.
Mas onde terá nascido o clique que deu origem à Bossa Nova, essa espécie de revolta indie perante o festivo samba? Talvez quando João Gilberto, ao se atirar a “Chega de Saudade”, inventou um novo jeito de cantar e tocar, fazendo com que o violão deixasse de ser considerado o instrumento maldito. Como se lê a certa altura, “nenhum outro disco brasileiro iria despertar em tantos jovens a vontade de cantar, compor ou tocar um instrumento”.

 

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