Ewen Montagu – O Homem Que Nunca Existiu
O Homem Que Nunca Existiu (The man who never was, 1953) é o livro mais conhecido do capitão britânico Ewen Montagu, que foi oficial de inteligência, juiz e escritor, sobre a Operação Mincemeat (recheio), um golpe de contraespionagem que os aliados aplicaram nos nazistas na Segunda Guerra Mundial.
Executado em 1943, tinha o objetivo de enganar os alemães quanto à planejada invasão aliada da Sicília.
Montagu desempenhou papel de liderança no esquema, que consistiu no lançamento de um cadáver ao largo da costa da Espanha, que fortes correntes se encarregaram de levar a uma área onde operava um conhecido agente secreto alemão.
O cadáver, que aparentava ser vítima de um acidente de avião, era o inexistente major da Marinha Real William Martin, que tinha documentos secretos numa maleta sugerindo uma invasão aliada da Grécia e da Sardenha, em vez do óbvio alvo da Sicília.
O Homem Que Nunca Existiu é um livro que relata um fato histórico da maior transcendência para o êxito de uma operação de vulto, desencadeada durante a Segunda Guerra Mundial — a invasão da Sicília.
O Homem Que Nunca Existiu é uma obra de leitura atraente, que ao mesmo tempo constitui preciosa fonte de subsídios para a reflexão dos estudiosos dos complexos domínios da informação e da contrainformação.
Demonstra como uma simples ideia, aparentemente esdrúxula, pode ganhar força e transformar-se numa arma de valor inestimável para o sucesso de um grande empreendimento, desde que encontre fatores favoráveis ao seu desenvolvimento: um objetivo relevante; o apoio e a confiança dos chefes; uma equipe com imaginação criadora e determinação para superar obstáculos, tudo isso aliado a um planejamento minucioso e detalhado e favorecido por uma conjugação de circunstâncias.
O autor descreve, com rara habilidade, todas as etapas da ação, da qual participou desde seu nascimento, dando ensejo a que o leitor vá acompanhando, quase que didaticamente, a preparação, a montagem e a execução de uma operação de contrainformação trabalhosa, original e fundamentalmente arrojada.
A leitura de O Homem Que Nunca Existiu é um exercício de pensamento reflexivo contínuo. Praticamente nada é omitido ao leitor: erros e acertos, dificuldades e caprichos da sorte, coincidências e arranjos talentosos.
Os cuidados tomados para tornar a ideia verossímil ao inimigo, os critérios adotados para escolha do local da operação, a capacidade de prever o comportamento das pessoas que participariam do encontro do corpo e a preocupação de antever, com realismo, o tipo de raciocínio que seria desenvolvido pelo Serviço de Informações alemão são verdadeiras aulas de aplicação consciente e disciplinada de princípios lógicos e criterioso bom senso.

 

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