Strawson & Kant: Ensaios Comemorativos Aos 50 Anos De The Bounds Of Sense – Peter F. Strawson foi, sem dúvida alguma, um assíduo leitor de Kant.
Muito mais do que um exegeta dos textos de Kant, porém, ele tornou-se um filósofo que desenvolveu um pensamento próprio, não apenas a partir de uma inspiração kantiana, mas também a partir de uma assumida influência wittgensteiniana, como podemos constatar em suas obras.
The Bounds of Sense, obra publicada originalmente em 1966 e declaradamente um ensaio sobre a Crítica da Razão Pura de Kant, conforme consta em seu subtítulo, não se reduz, no entanto, a um livro exegético da obra magna kantiana, como supõem alguns.
Nessa obra Strawson vai muito além de um comentário da obra de Kant, pois leva adiante teses filosóficas já introduzidas em Individuals, sua obra seminal, publicada em 1959.
Strawson confessa em uma autobiografia de 2003 que The Bounds of Sense é uma “tentativa um tanto a-histórica de recrutar Kant para as fileiras dos metafísicos analíticos, descartando ao mesmo tempo os elementos metafísicos que recusavam qualquer absorção dessa espécie”.
Em The Bounds of Sense Strawson considera o idealismo transcendental uma doutrina metafísica problemática que precisa ser abandonada, ou melhor, descartada.
Em outras palavras, o objetivo geral de Strawson consiste em separar na Crítica da Razão Pura de Kant o que é fecundo e interessante – em sua opinião a argumentação analítica –, daquilo que parece não ser mais aceitável e promissor: em sua opinião o idealismo transcendental.
Convém lembrar ainda que o interesse de Strawson por Kant não o levou apenas a escrever The Bounds of Sense, mas o motivou também a publicar uma série de artigos na década de 80 e 90 sobre a filosofia teórica de Kant.
Eis alguns deles: “Kant’s paralogisms: self-consciousness and the ‘outside observer’”; “Kant’s new Foundation of Metaphysics”; “Sensibility, Understanding and Doctrine of Synthesis”; “Echoes of Kant”; “The Problem of Realism and the a priori”; “Kant on Substance”.

 

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