O Espectador (in)Visível: Reflexividade Na Óptica Do Espectador Em Inland Empire De David Lynch – A experiência cinematográfica, traduzida no visionamento de um filme em auditório adequado (a sala de cinema), põe em contacto espectador anónimo e obra, numa relação de intimidade artística.
O vidente cinematográfico como instância de recepção – ou seja, como pólo abstracto de uma economia relacional pressuposta de origem pelo próprio medium – é um estimulante objecto de investigação e, como tal, não surpreende que tenha sido pormenorizadamente abordado ao longo dos tempos por diversas correntes de pensamento (mais ou menos homogéneo, consoante os casos) e/ou por personalidades teóricas singulares.
Todas as teorias do cinema como meio de comunicação sempre integraram, de uma forma ou de outra, o vidente cinematográfico.
Com Inland Empire (2006) David Lynch realiza uma obra inteiramente metacinematográfica, provando que este género transversal à História do cinema é passível de coexistir com uma poética arrojada, de pendor moderno, segundo a divisão que Gilles Deleuze faz da Sétima Arte.
A produção teórica sobre esta vertente fílmica de Lynch é em termos internacionais muito escassa e em Portugal virtualmente inexistente, justificando que se proceda um trabalho de investigação nestes moldes. Ademais, Inland Empire não é um exemplo isolado na obra do cineasta, mas sim o ponto culminante de uma carreira que tem vindo a prestar cada vez mais atenção à temática meta-espectatorial.
A abordagem de Lynch tem a particularidade de congregar num único trabalho o desejo de manifestar o vidente espelhando igualmente o filme, o que permite abordar Inland Empire como reflexividade na óptica do espectador.
Trata-se de encenar uma alegoria do vidente, mas equacionando produção com recepção. Deste modo, o presente livro adopta o mecanismo da enunciação como base da reflexividade institucional e narrativa em duas secções teóricas distintas versando, respectivamente, a (re)duplicação especular e a mise en abyme.
A cada um destes capítulos corresponde uma análise prática directamente relacionada com os factores teóricos apontados.
A obra culmina com um areflexão sobre as implicações do cinema digital para a execução de alegorias cinematográficas e a sua influência em Inland Empire, que já foi inteiramente produzido com esta tecnologia.

 

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