Secularismo E Religião Na Democracia Deliberativa De Habermas: Da Pragmática Ao Déficit Ontológico E Metafísico – O problema a ser levantado neste livro é que há, em Jürgen Habermas, um déficit ontológico (a falta de uma teoria dos entes) e metafísico (a falta de uma teoria do Ser) em sua filosofia.
O pensamento de Habermas se reduziria, a nosso ver, à pragmática, não deixando espaço para o aprofundamento de questões ontológicas e metafísicas, que o próprio Habermas sugere implicitamente, embora sem aprofundar, por se manter fiel ao seu pensamento pós-metafísico.
Quais as consequências disso para sua proposta de um diálogo entre secularismo e religião na democracia deliberativa e mesmo para sua análise do fenômeno religioso? O déficit ontológico e metafísico, analisado primeiramente na filosofia teórica, em Verdade e Justificação, percorreria igualmente sua filosofia política, à medida que Habermas não reflete acerca do caráter universal do bem, na sua defesa da ética do justo.
Finalmente, o déficit ontológico e metafísico alcançaria também sua análise dos discursos religiosos, restritos à pragmática, apesar de reconhecer a importância das religiões, quando traduzem suas intuições essenciais para uma linguagem pública e secular.
Lorenz B. Puntel, nesse sentido, coloca uma questão teórica, que o leva a afirmar, com razão, que a metafísica é a instância em que se articula o conteúdo da religião. Como o problema de Habermas é puramente pragmático, isto é, como tornar possível um diálogo entre crentes e não crentes, ele não leva em consideração a dimensão metafísica da religião, mas apenas seu conteúdo ético.
Nesse contexto, é essencial distinguir claramente duas questões que aparecem em Habermas. 1) Um problema teórico: Habermas aceita a centralidade da linguagem numa teoria, embora possua uma análise unilateral da linguagem, por reduzi-la uma análise da dimensão pragmática da linguagem; 2) Um problema prático: como é possível a convivência entre crentes e não crentes numa sociedade pluralista e democrática?
Desta forma, em Habermas, diversas questões podem ser avaliadas tanto à luz da filosofia, como da sociologia. Contudo, a nosso ver, tal fato traz também uma série de confusões não apenas do próprio Habermas, como igualmente de seus intérpretes e críticos, uma vez que as questões, sejam elas filosóficas ou sociológicas, são postas como sendo de mesmo tipo.
Um exemplo disso é o tema da religião, que ora aparece a partir de um ponto de vista sociológico de uma teoria da sociedade, ora através de um viés filosófico e propriamente teórico.
Nosso livro, contudo, encontra-se no âmbito estritamente filosófico, haja vista que, a nosso ver, haveria um déficit ontológico e metafísico na sistemática do pensamento de Habermas, tendo consequências em sua análise limitada do fenômeno religioso, restrito à dimensão pragmática da linguagem.

 

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