A Trança – Três mulheres. Três vidas, três continentes. Uma mesma sede de liberdade.
Smita, Índia. Intocável, Smita vive uma existência miserável, ostracizada por toda a sociedade. Mas Smita sonha com uma vida melhor para a sua filha e, num gesto de coragem e esperança, oferece o que de mais valioso tem em troca de dinheiro e da possibilidade de melhorar a sua vida.
Giulia, Sicília. O pai de Giulia acabou de morrer deixando-a com a terrível decisão de vender ou modernizar a loja de perucas que ele geria. Giulia decide-se pela segunda opção e irá investir em cabelo verdadeiro para as suas perucas.
Sarah, Canadá. Advogada de meia-idade, Sarah descobriu que sofre de cancro da mama e perde o cabelo durante os tratamentos. Finalmente, decide que precisa de uma peruca para reconquistar a autoconfiança.

É o princípio de uma história.
Uma história nova de cada vez.
Ganha vida aqui, sob os meus dedos.
Primeiro, a base.
A estrutura deve ser sólida o bastante para suportar o todo.
Seda ou algodão, para a cidade ou para o palco. Tudo depende.
O algodão é mais resistente,
A seda mais fina e mais discreta.
É preciso um martelo e pregos.
Acima de tudo, é preciso avançar com calma.
Depois vem a tecelagem,
A parte que prefiro.
No tear à minha frente
Três linhas de nylon estão estendidas.
Apanhar os fios, num feixe, três a três,
Entrelaçá-los sem os quebrar.
E recomeçar
Milhares de vezes.
Gosto destas horas solitárias, estas horas em que as minhas mãos dançam.
Estranho bailado, o dos meus dedos.
Escrevem uma história de trança e entrançados.
Esta história é a minha.
E todavia não me pertence.

Lætitia Colombani, filha de bibliotecária, nasceu em Bordéus em 1976. Teve um percurso académico marcado pela paixão do cinema e, depois de estudar na Ciné-Sup durante dois anos, licenciou-se na Escola Superior Louis Lumière.
É realizadora, atriz, cenógrafa e escritora.

   

 

 

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