Anamnese: Da Teoria Da História E Da Política é uma obra central dentro da odisseia intelectual de Voegelin.
Marca a mudança, da filosofia da história esboçada em A nova ciência da política e desenvolvida nos três primeiros volumes de Ordem e história, para a preocupação com a filosofia da consciência dos dois últimos volumes, A Era Ecumênica e Em busca da ordem.
O projeto original de um estudo de seis volumes desde o antigo Oriente Próximo até o presente ideológico sucumbiu.
Voegelin apresentou sua própria explicação para a mudança de planos em sua introdução à Era Ecumênica. Parte da razão foi o enorme alargamento empírico de seu horizonte em termos de dimensões global e temporal.
Mas o fator mais decisivo foi a mudança intelectual por que o próprio Voegelin passou na década depois dos três primeiros volumes de Ordem e história. O caminho foi de muitas maneiras uma extensão da trajetória em que ele estivera desde seu primeiro livro, Da forma da mente americana, e especialmente desde o abandono da gigantesca História das ideias políticas, por volta de 1947.
Muitos leitores de inglês foram tomados de surpresa pelo caráter transformado de Ordem e história quando ela reapareceu em A Era Ecumênica, embora a transição já tivesse sido assinalada totalmente pelo volume interveniente, Anamnese: Da Teoria Da História E Da Política.
Anamnese é o volume em que Voegelin desenvolve por si mesmo a reconceituação do que Ordem e história, e, por definição, seu tratamento filosófico central, viria a ser. Este caráter de uma reorientação é responsável pela natureza peculiar da obra.
Único entre os livros de Voegelin, revela um autor olhando para trás e inventariando seu crescimento, em vez de avançar rapidamente em novas regiões e novos problemas.
Anamnese é, pois, como que um afastamento dos hábitos eruditos de Voegelin. Normalmente ele mostrava pouco interesse em retomar a materiais previamente publicados e não pôde sequer preparar, para publicação, o volumoso História das ideias políticas, uma vez que passara o interesse.
Ensaios e estudos de tópicos particulares sucederam-se uns após outros sem que o autor se permitisse nunca ter tempo para considerar sua publicação reunida.
O incentivo imediato para a publicação de Anamnese, que Voegelin mencionou numa carta a seu amigo, Bob Heilman, afirmando que “tinha de publicar um livro em alemão algum dia como um tipo de obrigação pública – minha obra em inglês não é lida aqui e um professor tem de publicar um livro de vez em quando”, não teria sido suficiente para quebrar o padrão de seu eros erudito.

 

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