Sob Os Signos Da Esperança E Da Responsabilidade Social: Anais Do I & II Encontros Dos Bispos Do Nordeste (Campina Grande, 1956 | Natal, 1959) – Quando se tem por desafio enfrentar e buscar vias de resolução para os problemas maiores que afligem as sociedades humanas, caem por terra distinções político-partidárias, religiosas, de nacionalidades, de raça, de preferências ideológicas.
A história ocidental está repleta de exemplos de que em momentos de crises as “forças da conjunção”, segundo expressão de Edgar Morin, superam, as forças da separação, da fragmentação, do egoísmo.
Calamidades geográficas como um tsunami ou um terremoto; contaminação em massa de populações por vazamento de usinas nucleares, epidemias viróticas que comprometem a vida em alguns países, e outros tantos acidentes, acionam o que há de mais nobre e sublime na nossa condição humana: o sentimento natural da amorosidade, da adesão gratuita e da responsabilidade compartilhada.
Isso acontece também nos momentos de comprometimento da vida física e social de numerosas populações por ocasião das secas – fenômeno secular e recorrente que não se limita a uma característica climática do nordeste brasileiro, o que é também um fenômeno social e político, sobretudo.
Nesses momentos as forças da conjunção emergem como uma resistência e uma pulsão inimagináveis.
Foi assim que aconteceu no inicio da década de 1950, no Brasil. Naquela década os bispos do Nordeste sob a orientação de Dom Helder Câmara ouvem os clamores do povo que sofre e lançam um desafio ao Governo Federal e às autoridades da região do “Polígono das Secas”.
Tal desafio consiste em pensar e montar um plano de ação para enfrentar uma das maiores estiagens de que se tem noticia. Os pastores do nordeste entendiam que era chegado o momento de dar as mãos com outras instâncias da sociedade num exercício de cidadania e vivência da caridade como ação política.
No Encontro dos Bispos do Nordeste em Campina Grande são traçadas diretrizes para a escolha de pontos básicos em torno dos quais se arquiteta a colaboração e entrosamento dos vários órgãos federais em combate a pobreza e a miséria resultantes não só dos longos períodos de estiagem, mas, da própria conjuntura sócio-política e cultural.
Ao Encontro de Campina Grande em 1956, segue-se o Encontro de Natal, em 1959. Dom Helder Câmara chega a capital potiguar em 23 de maio do corrente ano para ultimar os preparativos do II Encontro dos Bispos do Nordeste e por meio do microfone da Rádio Nordeste, dirige-se ao povo do Rio Grande do Norte exaltando a obra administrativa do bispos norte-rio-grandenses Dom Eugênio Sales, Dom Eliseu Mendes e Dom Manuel Tavares e conclamando todos á participação no evento.
No Encontro de Natal aconteceu a avaliação de todas as providências e projetos assumidos pelo governo federal, como políticas publicas para o nordeste, de acordo com o proposto no encontro de Campina Grande.

 

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