O Que É Literatura Infantil – Quais as características da literatura infantil, seus comprometimentos e desafios? Que lugar ela pode ocupar nas escolas? Como escolher entre tantos livros do gênero?
A autora responde a essas e outras perguntas, apresentando critérios de análise e seleção de obras, discorrendo sobre a origem dos contos clássicos e sobre as características da produção contemporânea destinada às crianças.
“Em 1986, escrevi a primeira edição de O Que É Literatura Infantil. Desde então, o livrinho tem circulado entre os interessados em sucessivas reimpressões.
Naquela época, o gênero literário endereçado às crianças conquistava, gradualmente, espaço nas discussões universitárias, congregando estudiosos em instituições dedicadas ao tema. A literatura infantil deixava seu lugar à margem para ser apreciada em suas peculiaridades.
No plano das ações, livros literários para crianças começavam a ser distribuídos, em escolas e bibliotecas do país, pelo Ministério da Educação. A iniciativa pioneira recebeu o nome de Programa Salas de Leitura e era desenvolvido pela Fundação de Assistência ao Estudante, hoje extinta.
Se a iniciativa oficializava os ligações entre literatura infantil e educação, o que, na opinião de muitos, comprometia a natureza literária do gênero, na mesma medida vinha promovê-lo, tornando a distribuição de livros a estudantes parte de uma política pública.
Simultaneamente, criava-se uma relação de dupla dependência entre a presença da literatura infantil nas escolas e a produção de livros desse segmento editorial pela indústria livreira. A oferta de títulos cresceu de modo significativo. Com a continuidade e expansão dos programas de aquisição de livros infantis pelo governo, pode-se dizer que essa literatura passou a contar com uma forma de patrocínio estatal.
Mesmo sendo inegável o vínculo estabelecido entre literatura infantil e educação, é importante ter clareza de que não cabe ao gênero o papel de subsidiário da educação formal. A natureza literária já o coloca além dos objetivos pedagógicos, assim como dos ideais, costumes e crenças que os adultos queiram transmitir às crianças.
É como entretenimento, aventura estética e subjetiva, reordenação dos próprios conceitos e vivências, que a literatura oferece, aos pequenos, padrões de leitura do mundo. Mas não foi movida pelo reconhecimento desse potencial que a escola, inicialmente, voltou-se para a literatura infantil.
A educação formal passou a valorizar essa produção com vistas a interesses mais imediatos. Viu nela um bom instrumento do ensino da língua, modo de ampliar o domínio verbal dos alunos. Acreditava-se no slogan “quem lê, sabe escrever”.”

 

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