O Espírito Militar: Um Antropólogo Na Caserna – Esse livro é fruto da primeira pesquisa antropológica realizada numa instituição militar brasileira. A partir da visão de mundo e do cotidiano dos cadetes da AMAN, a Academia Militar das Agulhas Negras, o autor discute temas como os processos de socialização, conflito e construção da identidade militar.
O resultado dessa incursão de um antropólogo na caserna é apresentado de forma clara e objetiva, num estudo que busca evitar estereótipos e preconceitos.
Por sua originalidade e atualidade, O Espírito Militar continua sendo referência obrigatória para antropólogos, cientistas políticos, sociólogos, historiadores e para um público mais amplo, interessado na investigação séria de uma das categorias mais citadas e menos conhecidas da sociedade brasileira.”
“Qual foi a repercussão de O Espírito Militar junto aos militares? Mesmo após todos esses anos, continuo sem uma resposta precisa para essa pergunta. Enviei a dissertação, no dia seguinte à sua defesa, ao comando da Aman.
Depois, fiz convites para o lançamento do livro (do qual doei dois exemplares para a biblioteca da instituição). No entanto, nunca obtive um retorno oficial a respeito do trabalho.
Imaginava que pudesse ser convidado a conversar sobre o livro pelo comando da Academia ou pelos oficiais envolvidos com o processo de formação dos cadetes, o que não ocorreu.
Em parte, esse silêncio pode ser explicado pelo caráter dinâmico da carreira militar. Quando O Espírito Militar foi publicado, muitos oficiais e a maioria dos cadetes com os quais conversei durante a pesquisa já haviam deixado a Aman – por transferência ou formatura. Durante o lançamento, apenas um cadete apareceu. Disse-me que vários colegas tinham planejando ir, mas não puderam devido a uma manobra marcada para aquele dia.
Desse modo, fiquei restrito a opiniões esparsas, colhidas ao acaso, aqui e ali. Soube, por exemplo, que um chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) recomendou a seus subordinados a leitura do livro.
Certa vez, um oficial me contou que ficou impressionado quando sua namorada, que desconhecia totalmente a rotina da vida militar, de repente começou a comentar detalhes do cotidiano da Aman. Pouco depois, ele descobriu que a fonte “secreta” era O Espírito Militar. Em outras oportunidades, oficiais elogiaram a precisão com que a vida na Aman havia sido descrita.”

 

Camisa Pessoa

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