50 Anos Luz, Câmera E Ação – Em alguma parte deste livro seu autor comenta que os fotógrafos de cinema têm sempre a aspiração secreta ou não de ser diretores de filme, de participar dele numa escala de criação principal.
E não há dúvida de que uma afirmação dessa feita por Edgar Moura vale por expressão da verdade porque ele próprio, na maneira como observa o mundo, explica processos de trabalho e narra com admirável sentido de informação e interesse, é de uma criatividade surpreendente.
Sempre bem-humorado, com uma verve que revela neste texto em dezenas de “causos” a servir de deflagradores dos temas que expõe, Edgar Moura conduz o leitor por caminhos que seriam áridos se o guia fosse outro.
Aqui, as sutilezas da luz, por exemplo, assim como os movimentos da câmera, e todo o complexo universo da realização cinematográfica, encontram um expositor que gosta do que faz e adora falar disso.
Entre os personagens que com nome próprio ou não desfilam pelas páginas deste
50 Anos Luz, Câmera E Ação, o autor refere-se ao fotógrafo que, não sabendo pôr em palavras o específico de seu ofício, dá uma impressão de ter poucos recursos — e no entanto é um verdadeiro artista.
Pois o que há de notável neste livro é que seu autor, um mestre da fotografia, prova-se também um hábil expositor de assuntos que ficam na fronteira do rigor técnico e da arte figurativa, sem nunca perder o fio da meada de uma narrativa saborosa.
Se você gosta alguma coisa de fotografia (não still, mas a foto-grafia em movimento, de cinema), vai pedir mais. O homem entende do riscado, vai da prática à teoria e volta desta a modos de fazer (não pense em livrinhos how-to-do, é filosofia de trabalho) com uma elegância e uma precisão de escritor nato. E experimentado.
Por tudo perpassa (?) o mais fino humor, em sua forma melhor, a ironia, em sua forma maior — auto-ironia. Sem explicitar, Edgar deixa claro que não pretende salvar o mundo com a sua profissão. Nem com seu livro.

 

Camisa Bicicleta

Deixe uma resposta