Charlie Chaplin foi um dos maiores cineastas de todos os tempos. Ainda nos primórdios do cinema, criou um personagem inesquecível e que se tornaria um verdadeiro mito: Carlitos, o sedutor vagabundo que, com seus trejeitos de cavalheiro, ainda faz rir as platéias do mundo todo.
Nessa obra, o brilhante crítico francês André Bazin interpreta o diálogo que Chaplin e seus filmes mantinham com a sociedade: a mecanização (Tempos modernos), a permissividade burguesa (Monsieur Verdoux) e a grotesca ascensão do nazismo (O grande ditador).
Ao colocar um protagonista desajeitado diante das mais inusitadas situações, Chaplin dialogava ferozmente com sua época, numa denúncia sem moralismos da ordem burguesa
Charlie Chaplin é o cineasta mais célebre do mundo, mas sua obra quase se tornou a mais misteriosa do cinema. À medida que expiravam os direitos de exploração comercial de seus filmes, Chaplin proibia a distribuição, escaldado, convém esclarecer, por inumeráveis reedições piratas, e isso desde o início de sua carreira.
As novas gerações de espectadores que chegavam só conheciam
O garoto, O circo, Luzes da cidade, O grande ditador, Monsieur Verdoux, Luzes da ribalta de ouvir falar.
Em 1970, Chaplin decidiu repor em circulação a quase totalidade de sua obra, parecendo, portanto, oportuna a publicação dos textos de André Bazin sobre ele. Esta reunião permitirá acompanhar, exatamente como se caminha sobre a bitola de uma via férrea, a trajetória de dois pensamentos, o do cineasta e o do escritor.
Bazin conhecia a obra de Chaplin como a palma de sua mão, o que pode ser constatado ao se ler este livro. Mas posso acrescentar a ele a maravilhosa recordação de inúmeras sessões de cineclubes em que vi Bazin apresentar a operários, seminaristas ou estudantes Pastor de almas, O vagabundo ou outros “rolos” que ele conhecia de cor e que descrevia antecipadamente, sem alterar o efeito-surpresa. Bazin falava de Chaplin melhor que ninguém, e sua dialética vertiginosa somava-se ao prazer com que fazia isso.

 

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