Manuais De Cinema IV: Os Cineastas E A Sua Arte – Todos respeitamos de uma forma particular as palavras de um artista acerca da sua obra ou do seu ofício, as quais chegamos frequentemente a reverenciar.
De algum modo, é como se as palavras ditas por cada oficiante de uma arte assumissem uma gravidade, uma autenticidade e uma autoridade de que carecem tanto o espectador como o crítico, o analista ou o teórico.
No caso do cinema, tratando-se de uma arte de tão vastas e específicas exigências técnicas e formais, é natural que procuremos recolher no discurso directamente produzido pelos seus autores os ensinamentos mais profundos e informados.
Porque, no fundo, todos pensamos: quem melhor do que o autor para desvelar os segredos da sua arte, as motivações do seu trabalho, o contexto da sua obra?
Esta atenção especial às palavras dos cineastas enfrenta algumas dificuldades: é que onde o crítico ou o teórico ou o analista trabalham sobre a sistematização de um discurso e de uma lógica de reflexão sustentada e aprofundada, o cineasta socorre-se muito frequentemente da intuição, e experimenta a deriva e até o desdém perante o discurso lógico e sistemático da teoria e da ciência.
Revela-se difícil encontrar em qualquer cineasta (raras são as excepções) um argumentário ou um ideário devidamente organizado. Não que não seja possível conhecer e reconhecer o pensamento de muitos cineastas sobre a sua arte – através de entrevistas, de artigos, de depoimentos –, mas o facto é que esses pensamentos tendem a ser apresentados de modo ora lacunar ora laudatório ora lacónico.
Em Os Cineastas E A Sua Arte, procuramos coligir alguns dos ensinamentos de vários cineastas fundamentais da história do cinema e reflectir de modo breve acerca dos mesmos.
Como se constatará, procurámos aqueles autores cujo pensamento, por iniciativa própria ou por iniciativa de outros, está sistematizado em livro, já que o objectivo foi preparar um manual que pudesse servir de base a uma unidade curricular universitária designada Teoria dos Cineastas. Daí a incidência sobre a perspectiva e a pretensão teórica dos escritos dos cineastas. Para uma futura ocasião deixamos a recolha de pensamentos expostos através de outros meios.
Procuraremos, nessa altura, recolher e sistematizar um saber que se encontra disperso por documentários, making of, monografias, depoimentos e demais formatos.
Porém, para já, e apesar das dificuldades que se hão-de notar a propósito da produção teórica de cineastas ou sobre cineastas, julgamos que se poderá encontrar algum proveito em conhecer as ideias dos realizadores sobre a sua arte.

 

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