Marcas De Uma Guerra – Agosto de 1942. O Brasil entra na luta contra os países do Eixo. A guerra na Europa começa a causar grandes mudanças na vida dos brasileiros, como na da jovem Hilda, uma estudante, descendente de italianos que sonha ser enfermeira.
Em meio ao caos instaurado pela guerra, Hilda conhece o amor, confidenciado nas páginas de seu diário.
Os sentimentos de Hilda, uma jovem que viveu na década de 1940 – época em que as mulheres precisavam de muita coragem para quebrar padrões de comportamento – estão delicadamente retratados em Marcas De Uma Guerra. Com a ajuda do seu “amigo” diário, no qual escreve tudo, ela relata seu cotidiano durante a Segunda Guerra Mundial. Um momento que afetou a vida da sua família de descendentes italianos.
“Minha ideia foi usar esse período como um cenário e como um agente de grandes mudanças culturais”, esclarece a autora, que resgatou fatos ocorridos em sua família para enriquecer a trama. “Pessoalmente, gosto de pensar que as histórias que eu ouvia sobre o que aconteceu naquela época foram apenas o estopim para criar uma história”, completa.
As colagens de Maurício Planel são um recurso paralelo na composição do cenário de época. O artista apresenta o vestuário, os aparelhos e os costumes daqueles tempos de guerra, momentos em que o medo, as incertezas e as mudanças juntavam a família e os amigos ao redor do rádio.
Era agosto de 1942. Até então, Hilda seguia com o seu cotidiano no subúrbio carioca: ajudar a mãe em casa, assistir às aulas no Instituto de Educação, ter as conversas “sérias” com as amigas e driblar as paqueras dos meninos do Colégio Militar. No universo de Hilda vivem o pai, açougueiro; a mãe, dona de casa; a avó e o avô, italianos natos, donos da mercearia do bairro; a fofoqueira da frente, que sabe coisas que até Deus duvida; a professora de inglês e o rapaz dos olhos azuis.
E entre a ficção de Hilda e fatos históricos de um Brasil prestes a entrar na Guerra Mundial, Marcas De Uma Guerra descreve ao leitor toda a atmosfera “ingênua” e tensa vivida pelos brasileiros.
A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, as manifestações, a Força Expedicionária Brasileira (FEB), a dor dos familiares sem notícias dos filhos e dos maridos enviados aos campos de batalha, a Coluna Prestes, a queda do governo de Getúlio Vargas e personalidades como Clarice Lispector e Jorge Amado formam um forte pano de fundo para Hilda descrever seus anseios de se tornar uma mulher independente, com diploma universitário e carreira profissional.

 

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