Os Silêncios Da História: A Transmissão De Conhecimentos Advindos De Mulheres Negras Cearenses Acima De Setenta Anos – A autora nos evidencia as falas, memórias, estórias e histórias de três mulheres negras cearenses acima de setenta anos. O que marca a vida destas senhoras e que provocou o olhar e escuta atenta e sensível de Maria Saraiva da Silva foi à maternidade das interlocutoras.
Não apenas a gestação – que por si só já dignificam uma celebração – mas a concepção de alguém que se converte em combatente na peleja, bem como, na expectativa por um mundo sem racismos e discriminações de quaisquer ordens.
Portanto, estas senhoras são genitoras de ativistas do movimento negro, no Ceará, atuando na Capital. Trouxeram ao mundo personagens “quase quixotescas”, uma vez que ouviram desde tenra idade que “no Brasil não há racismo” e “no Ceará não há negros”. No entanto, estas declarações não impediram aos filhos destas senhoras negras seguirem na perseguição contra estas duas falácias.
São três velhas senhoras que nos são apresentadas em diferentes momentos de suas vidas. Dona Cila, Dona Malu e Dona Clementina . Uma com 92 anos, cozinheira, é mãe de mulher negra atuante no ativismo cultural dos Maracatus. Católica é mãe e avó de adeptos das religiões de matriz africanas; outra é costureira e tem 84 anos. Seu filho é ativista da UNEGRO- União de Negras, Negros Pela Igualdade- e mestre de capoeira; a mais jovem do grupo, com 74 anos é doméstica e sua filha é militante no MNU-Movimento Negro Unificado.
As três se afirmam analfabetas. O que não as impede de seguir sendo professoras na arte de transmissão de memórias e conhecimentos que ao serem colhidos (e muito bem realizados pela autora), vai fornecendo elementos para a construção de parte significativa da História da população afro-cearense.
Portanto, Os Silêncios Da História traz à luz – através do olhar e relatos das entrevistadas – informações tão costumeiramente negadas, nos compêndios escolares.

 

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