Ordem E História Vol. II: O Mundo da Pólis – Esta obra explora a antiga simbolização grega da realidade humana, conduzindo desde as origens da cultura grega nas civilizações da Creta pré-homérica.
A obra traça a emergência das formas da cidade-estado e da filosofia a partir do simbolismo do mito. O autor mostra como o sentido da existência se expressou concretamente nas instituições políticas, sociais e religiosas na Grécia.
A série Ordem e História de Eric Voegelin é bastante desafiadora para quem a lê. Depois de haver analisado Israel em seu primeiro volume, Voegelin faz um estudo sobre alguns personagens que ajudaram a definir a mentalidade grega. Ele primeiro escreve sobre os poetas Homero e Hesíodo, que representam uma primeira fase do pensamento grego, que é o mítico. Eu particularmente achei o estudo sobre Hesíodo mais interessante. A parte sobre Homero pode ser complementada com a opinião de Giambattista Vico em sua Ciência Nova.
Sobre o poeta grego, Voegelin escreve em detalhes a respeito da personalidade de Aquiles como definida por Homero. A parte seguinte fala sobre o amor entre Páris e Helena, visto pelo filósofo alemão como o início da desordem. Páris está cego pelo domínio em sua alma do Eros, sendo essa uma das metáforas utilizadas por Homero para demonstrar a presença do mal. Isso vai fazer com que Homero passe a ensinar aos gregos que o mal está no homem, e não nos deuses. Como define Voegelin: ” é o homem, e não os deuses, o responsável pelo mal.
Na prática, esse hábito é perigoso para a ordem social. Os delitos serão mais facilmente cometidos caso se possa transferir a responsabilidade aos deuses. Historicamente, uma ordem civilizacional está em declínio e irá perecer se esse hábito obtiver aceitação geral.”
O Mundo da Pólis também abrange estudos sobre Xenófanes, Parmênides e Heráclito. Acho que quem ler esse livro vai gostar muito da análise que Voegelin faz de Prometeu Acorrentado, de Ésquilo. Como nós sabemos, uma passagem específica da peça impressionou o jovem estudante Karl Marx. Vejamos como Voegelin resumiu o pensamento de Ésquilo quando esse colocou as palavras “odeio todos os deuses” na boca de Prometeu:” a authadia é a insensatez, nosos, uma enfermidade.
O mesmo termo aparece em Ésquilo também aparece na caracterização heraclítea da vaidade como uma “enfermidade sagrada”. É uma enfermidade espiritual que só pode ser curada pela submissão por meio do autodomínio.” Nessa passagem de O Mundo da Pólis podemos compreender um dos princípios da desordem futura não somente da sociedade grega, como também da nossa.

 

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