Psicanálise, Hermenêutica E Religião Em Paul Ricoeur – A presente investigação mostra como Paul Ricoeur (1913-2005) incorpora alguns conceitos e, sobretudo, o espírito da psicanálise freudiana à filosofia hermenêutica. Paul Ricoeur nota que há, em Freud, uma hermenêutica da suspeita que coloca em xeque toda a filosofia e a cultura que vinham sendo construídas e alicerçadas sobre a certeza do cogito cartesiano.
Nosso autor acredita que a passagem por Freud, aceitando seus questionamentos e incorporando seu aprendizado, é imprescindível à filosofia e ao filósofo contemporâneo. Porém, Paul Ricoeur não nos convida somente à suspeita, ele nos convida, também, a ouvir. No conflito entre a hermenêutica da suspeita e a da restauração do sentido, está o intento de nosso filósofo, a saber: chegar a um segundo momento da interpretação, a uma segunda inocência na e pela crítica. Se há uma escola da suspeita, há também uma da confiança, da crença e da fé.
Freud, Nietzsche e Marx conduzem Paul Ricoeur a suspeita, contudo ele vai além, pois quer ver emergir uma fé pós-crítica capaz de abarcar os questionamentos, sobretudo, do freudismo, deixando-se por eles questionar a ponto de reduzir as máscaras e as ilusões da consciência para que sobrevenha o sentido. A proposta de Paul Ricoeur é, então, partir para uma hermenêutica do símbolo que suponha a passagem pela crítica dos mestres da suspeita e que seja, assim, uma verdadeira escuta do símbolo, porém, agora, não mais ingênua e alicerçada sobre a consciência imediata, portadora e doadora de sentido, mas uma escuta crítica e instruída que leve em conta as reflexões e as descobertas da psicanálise de Freud.
Ao final de nossa pesquisa iremos abordar alguns textos clássicos de Freud que tocam temas basilares da religião, com o intuito de lê-los a partir de Paul Ricoeur e de sua dialética interpretativa, buscando elucidar mais explicitamente como nosso filósofo incorpora a crítica da suspeita à hermenêutica da restauração do sentido.

Camisa Pessoa

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