Histórias Da Gente Brasileira Vol. III: República (Memórias: 1889-1950) – Bom dia. Pode entrar. Tome assento e venha conversar. Reunidos aqui, se encontram vários escritores brasileiros. Escritores, mas, sobretudo, memorialistas. Você os conhece: seus rostos estão em tantas capas de livros… São tão diversos: há os irônicos, os proseadores, os vaidosos, os tristes e os alegres. Mas, de muitos, os retratos foram apagados, assim como sua obra. Daí a importância desta conversa. Ela é cheia de vozes distantes. De sotaques diferentes. Erico Verissimo e José Lins do Rego, Wilson Martins ou Zélia Gattai, e muitos outros, trazem na forma de escrever o som das palavras nas diferentes regiões do país. Trazem junto com o verbo, hábitos, gestos, vivências. A conversa nesta sala é sobre memórias, lembranças e história.
Mary del Priore dá continuidade à saborosa série “Histórias da Gente Brasileira”, em que, pela simplicidade da vida cotidiana, busca a resposta para como nos tornamos quem somos hoje. No terceiro volume, a historiadora aborda a primeira etapa de nossa República por meio das memórias daqueles que viveram todas as mudanças políticas, econômicas, sociais e comportamentais pelas quais o Brasil passou durante o intenso período compreendido entre os anos de 1889 e 1950.
De Deodoro da Fonseca a Eurico Gaspar Dutra, passando pela Era Vargas, o país teve 16 presidentes, mas o que guia a narrativa são as vozes, carregadas dos mais diversos sotaques, de quem viveu o dia a dia das ruas e o transformou em palavra escrita. Entre eles estão memorialistas/escritores que deixaram marcas definitivas na cultura nacional, e toda história que esses autores contam é também a nossa.
A verdade da memória é singular, não é? Contar o passado significa remontar longe nos anos, atravessar fronteiras, deixar-se guiar pelo fluxo das imagens, das associações livres, dos vazios e das reentrâncias esculpidas pelo tempo. A memória seleciona, elimina, exagera, minimiza, glorifica, denigre. Modela sua própria versão dos fatos, libera sua própria realidade. Heterogênea, mas coerente. Imperfeita, mas sincera.
Nas últimas décadas, a publicação de memórias narrando a vida cotidiana, as experiências individuais – mais do que os grandes fatos históricos – causaram tanto impacto junto à opinião pública, que os historiadores se sentiram na obrigação de examinar a questão mais de perto. Ora, muitas e muitas vezes, os próprios historiadores recorreram a testemunhos orais – existe mesmo uma abordagem intitulada História Oral – mas só lhes dando confiança, quando confirmados. Historiadores também escreveram Ensaios de ego-História: maneira de contar ou de lembrar suas trajetórias e falar de suas escolhas metodológicas, fazendo-se, enfim, historiadores deles mesmos. E graças… À memória.

Baixe aqui o Vol. I e o Vol. II.

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