Walter Benjamin E Sigmund Freud: Encontros Contemporâneos – Em um mundo e em um tempo em que a famosa expressão de Walter Benjamin “a história dos oprimidos nos mostra que…o estado de exceção em que vivemos é na verdade a regra geral” se revela cada vez mais evidente, eloquente e indubitável, é hora de trazer com grande urgência à agenda acadêmica – não apenas da Filosofia – novas abordagens do pensamento benjaminiano, que levem em conta, inclusive, o nível de maturidade que a recepção do pensador berlinense já adquiriu no Brasil.
Igualmente oportuno e necessário é o cultivo da transversalidade investigativa, ou seja, a aproximação consequente a outros autores e obras de relevância incontestável na tradição cultural e que hoje, igualmente, se fazem mais necessários do que nunca. É o caso, sem dúvida, de S. Freud. De fato, o mestre de Viena, por longo tempo como que recalcado por certo estilo de pensamento e de ciência, retorna com enorme potência no sentido do esclarecimento das reais agruras do tempo presente.
Nesse sentido, uma nova aproximação entre Walter Benjamin e Freud aqui e agora, sem desconsiderar tudo o que já foi feito nesse sentido, desenha-se não apenas como útil, mas mesmo como imprescindível. A presente obra testemunha e socializa as discussões que se seguiram às leituras de textos destes dois gigantes do pensamento e da cultura ao longo do Seminário de Pós-Graduação em Filosofia da PUCRS ao longo do segundo semestre de 2017.
A linguagem, para Walter Benjamin, é constitutiva da realidade enquanto tal. O mundo é linguagem e vice-versa, embora para Walter Benjamin a saúde da linguagem mude ao longo da história. Essas mudanças incorrem variando graus do que Walter Benjamin chama de “culpa”, e o homem barroco de Walter Benjamin parece carregar uma carga pesada dessa culpa. O ensaio de 1916, “Sobre a Linguagem em Geral e sobre a Linguagem do Homem” ajuda a explicar porque: a linguagem da intenção e do julgamento na linguagem humana se tornou cada vez mais enredada, alienou os humanos (que são sua linguagem) da linguagem dos nomes e da nomeação, dádiva de Deus para os humanos. O poder humano de nomear reside na proximidade mais estreita com a própria Palavra criadora de Deus. A linguagem do julgamento é uma linguagem pervertida pelo fetiche do bom e do mau e por outras falsas dicotomias.

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