A Dialética Simbólica – Este livro, para o poeta Bruno Tolentino, é parte essencial da filosofia de Olavo de Carvalho, que só pode ser devidamente compreendida ao se levar em conta as questões que o autor aborda, com maestria, nessa reunião de estudos, habilmente coerida: o simbolismo e o modo de raciocínio analógico, a relação entre poesia e filosofia, o modo de existência dos gêneros literários e suas espécies, a metafísica e a cosmovisão tradicional como base da crítica artística – entre outros tópicos.
Olavo aplica e exemplifica os fundamentos que expõe na primeira parte do livro numa segunda parte, composta de 3 críticas cinematográficas e uma teatral: analisa filmes consagrados pela crítica, como O silêncio dos inocentes (vencedor de 5 Oscars), Aurora (vencedor de 3 Oscars) e Central do Brasil (nomeado a 2 Oscars).
Cada um dos trabalhos aqui reunidos aponta e caminha, de fato, na direção de certas evidências de princípio, que, organizadas e hierarquizadas, compõe uma filosofia, mas cuja expressão plena não se encontrará neste volume, pela simples razão de que se trada de filosofia in fieri e de que não poderia ser de outro modo, sendo seu autor um homem de sessenta anos – precisamente a idade em que, após décadas de ensaios e tentaivas, um filósofo começa a penetrar no território que será definitivamente o seu, se viver para ocupá-lo.
É pois natural que o filósofo, antes de se aventurar a dar às suas idéias a expressão formal e sistêmica em que adquirião sua identidade definitiva, acerta as contas com as primeiras etapas de sua vida e de sua obra, como o pintor que revê e ordena seus esboços antes de iniciar o quadro. Não é outro o sentido da coletânea de Estudos reunidos que este volume inaugura.
Para o escritor, para o crítico, para o ensaísta, um volume deste gênero é coroamento de uma vida. Publicá-lo aos sessenta anos seria prematura aposentadoria. Para o filósofo, é apenas a hora de fazer a avaliação final dos ensaios para poder iniciar o espetáculo.

Camisa Pessoa

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