A filosofia analítica surgiu no século XIX e é desde então campo de intensos debates. O autor discute a contribuição de alguns dos mais influentes filósofos do que podemos considerar a “tradição analítica” na filosofia contemporânea, de Frege e Wittgenstein à Escola de Oxford.
Filosofia analítica é uma expressão que pode ser entendida pelo menos de dois modos. Em um sentido mais amplo, significa uma maneira de se fazer filosofia recorrendo-se ao método analítico para o tratamento das questões filosóficas. Em um sentido mais específico e historicamente determinado, a filosofia analítica é uma corrente filosófica que adota o método analítico e surge ao final do século XIX, desenvolvendo-se ao longo do século XX até os tempos atuais, caracterizando-se assim como uma das principais correntes do pensamento contemporâneo.
Mas, mesmo neste sentido mais específico, a filosofia analítica inclui também diferentes tendências, desde as suas origens no contexto da crítica ao idealismo então dominante até as várias linhas do pensamento contemporâneo. O método analítico pode se desdobrar, por sua vez, em diferentes modos de se interpretar o que vem a ser “análise” em um sentido filosófico.
Se nos perguntarmos, portanto, o que significa filosofia analítica e como podemos entender a noção de “análise”, veremos que não há uma resposta única a estas questões. No presente livro procurarei mostrar alguns dos sentidos mais importantes da noção de análise e discutir a contribuição dos mais influentes filósofos do que podemos considerar a “tradição analítica” na filosofia contemporânea.
A filosofia surge na Grécia antiga como busca de resposta específica a um sentimento de necessidade de se compreender melhor o mundo de nossa experiência. “Compreender melhor” significa compreender a realidade diferentemente de como o fazemos e de forma mais satisfatória, dados certos objetivos práticos e teóricos. Isso acarreta um sentimento de que o mundo de nossa experiência não é transparente, não se revela a nós espontaneamente. Compreendê-lo melhor significa, assim, analisá-lo.
Analisar, por sua vez, equivale a decompor, separar certos conceitos básicos, para então defini-los. Esses conceitos básicos servirão de ponto de partida para a definição e a compreensão dos demais. Definir consiste em estabelecer o significado de certos conceitos básicos e, na tradição analítica contemporânea, conceitos são entendidos como entidades lingüísticas, daí o apelo à linguagem na análise filosófica, e daí a filosofia analítica ser confundida com frequência com a filosofia da linguagem. Veremos que estas são bastante diferentes, embora possam ter muito em comum.

 

 

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