A Política Espacial Brasileira – Síntese das contribuições apresentadas no âmbito do estudo promovido pelo Conselho de Altos Estudos, durante ciclo de palestras que contou com a participação de especialistas e diretores de instituições e de empresas vinculadas aos projetos que procuram inserir o Brasil como ator de relevante destaque no cenário internacional de conquista do espaço.
Organizado em dois volumes, o estudo visa apurar as razões que levaram à sucessiva postergação das metas e do cronograma previstos no programa Missão Espacial Completa Brasileira, bem como apontar propostas que possam equacionar as dificuldades e limitações do programa espacial no Brasil. Pretende também levar à sociedade brasileira o debate sobre a relevância, os objetivos e a relação entre os custos e os benefícios de se manter um programa de alta intensidade tecnológica, cotejando os investimentos e os riscos envolvidos com os resultados que podem ser alcançados.
A exploração espacial conquistou nova dimensão na disputa de poder entre as nações nas últimas décadas. Ter acesso ao ambiente espacial aumenta o poderio militar, promove o desenvolvimento econômico e confere prestígio político.
No contexto internacional, é essencial para elevar a influência de um país, em harmonia com as demais atividades industriais. Ademais, os produtos espaciais estão entre os de maior valor agregado no mercado mundial.
Trata-se de atividade que traz enormes desafios técnicos e demanda coragem e preparo humano equiparáveis à fase heróica das grandes navegações. Confere aos países que encontram sucesso nesse empreendimento uma autonomia comparável àquela que possuíam os países colonizadores europeus, capazes de construir embarcações e realizar navegações através dos oceanos, nos séculos XV e XVI.
O espaço é um ativo estratégico que gera foco significativo de investimentos nacionais entre um número crescente de nações. E, apenas meio século depois do
lançamento do primeiro satélite, a atividade espacial ganhou tal dimensão que tornou-se presença indispensável no cotidiano de todos nós.
O marco zero da atividade espacial foi o lançamento do satélite Sputnik I pela União Soviética, em outubro de 1957. Desde então, o valor econômico das aplicações e dos benefícios do uso de artefatos espaciais tem aumentado fortemente, a exemplo dos serviços de previsão meteorológica, de posicionamento global e de sensoriamento remoto.
O êxito de um programa espacial depende não apenas do uso dos recursos espaciais, mas, necessariamente, da autonomia que um país deve possuir no tocante à colocação de satélites em órbita, sem submeter-se a interesses políticos, econômicos e militares das nações que detêm essa capacidade. O domínio do ciclo completo da atividade espacial, que inclui autonomia para lançamento de satélites por veículos lançadores próprios em território próprio, está restrito hoje a poucos países: Estados Unidos, Rússia e China, além das iniciativas conjuntas dos países que integram a União Europeia.

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