Entre Idas & Vindas: Novas Dinâmicas De Migração Para O Trabalho Escravo – Conduzida em cinquenta comunidades de vinte municípios do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, a nova pesquisa do Programa RAICE (Comissão Pastoral da Terra–CPT, e Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran – CDVDH – CB) sintetizada neste livro mostra a realidade das famílias de trabalhadores migrantes em distintos tipos de comunidades: de pontas de ruas a acampamentos de luta pela terra, de quilombos a atingidos por grandes projetos agropecuários.
Entre Idas & Vindas comprova a tese de que o trabalho escravo nunca será erradicado se não forem atacadas as causas estruturais que levam as famílias a estarem vulneráveis: a persistente concentração fundiária, a expulsão de comunidades camponesas de seus territórios em função do avanço do capital, a omissão deliberada do Estado na garantia dos direitos mais essenciais, uma política agrária que não garante condições de produção a assentados, a dependência de um mercado de trabalho desigual em termos regionais, a exploração vista como algo natural, entre outras. Enfrentar essa realidade é objetivo do programa RAICE.
Entre as entidades que combatem o trabalho escravo contemporâneo, muito se fala sobre a vulnerabilidade a esse tipo de exploração: os trabalhadores, sem alternativas para viverem dignamente em seus locais de origem, são obrigados a aceitar “qualquer tipo de trabalho” e acabam caindo nas redes de aliciamento e escravidão. Este livro irá mostrar que existem vulnerabilidades – no plural –, que se manifestam de diferentes formas, dependendo da relação das famílias com a terra, com o entorno, com as histórias de migração, e assim por diante.
Entre Idas & Vindas sintetiza a pesquisa conduzida pelo Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán (CDVDH/CB) e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) ao longo de 2015 com o objetivo de identificar os tipos de vulnerabilidade social e econômica que podem contribuir para a migração de trabalhadores e trabalhadoras oriundos de quatro estados do Norte e Nordeste do país: Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins.
A situação em que vivem tais trabalhadores e trabalhadoras, nas zonas urbanas e rurais, aponta para um contexto comum de exposição à pobreza, ao desemprego, à negação do direito à educação, à desatenção sanitária, à violência, ao avanço do agronegócio e de grandes projetos de infraestrutura, à falta de acesso à terra ou de incentivos à produção, e a uma grande dependência de programas sociais, como o Bolsa Família.

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