Violência E Cinema: Monstros, Soberanos, Ícones E Medos – Sobre a violência no cinema, e nos audiovisuais em geral, muitas têm sido as palestras, os estudos, os artigos, os debates levados a cabo, sendo que a grande maioria, por uma ou outra razão, falha claramente o alvo.
Sobretudo, procura-se averiguar o tipo de relações causais existente entre a violência representada ou mediatizada e a sua ocorrência no tecido social. Processo de mimetismo, catarse ou sugestão, nenhum juízo definitivo se conseguiu ainda efectuar sobre a ligação entre estes dois níveis.
A ideia de automatismo ou determinismo não só parece insuficiente como errada, pois parece negligenciar a complexidade do problema e as suas mais enigmáticas minúcias. Assim, talvez não se venha a certificar, a breve prazo, o tipo de vínculo que se estabelece entre a violência enquanto prática social e enquanto prática representacional.
Devido à quase evidência de que esta impotência teórica é difícil de superar, mas também porque de uma análise eminentemente socio-psicológica se trataria, se deixou de fora do âmbito deste trabalho essa perspectiva de análise específica que procura descobrir as leis, as classificações e as categorizações — posteriormente adoptadas como fundamentos de doutrinas, logo funcionando como instrumentos políticos — que nos habilitem a produzir discursos e testemunhos avalizados sobre a relação entre os meios de comunicação e mediação em geral — a forma como a(s) violência(s) habita(m) os seus bens, produtos e obras — e as suas consequências no tecido social.
Essa polémica, servida constantemente por argumentos demagógicos e lógicas quantas vezes meramente especulativas, permanecerá. E não se observará aqui a ousadia de a sanar ou resolver.
Para que também aqui não se falhe demasiado o alvo, aquilo a que se procede em Violência E Cinema é, simplesmente, a uma selecção de alguns ângulos em que se podem analisar as relações entre o cinema e a(s) violência(s). Em conta são tidos quatro tópicos particulares, os quais devem, por si, constituir outras tantas perspectivas de análise e corpus temáticos, relativamente autónomos entre si, mas que, em função dessa autonomia apenas relativa , deixam desde logo perceber que não se pode falar de uma única tipologia ou perspectiva da violência tal como o cinema a entende e apresenta.
Pelo contrário, essa ideia de violência, quantas vezes abordada segundo um ponto de vista excessivamente generalista, o que obriga a discordar, por exemplo, de Olivier Mongin ao dizer que “quando a violência das imagens parece natural, o sentimento de gradação ou de escalada desaparece, porque se está nela instalado de uma vez por todas”.

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