Escrita Teleguiada: Guiões Para Audiovisuais – O objecto deste estudo é a escrita que precede o aparecimento dos artefactos a que chamamos audiovisuais e com eles mantém uma relação especial. À prática dessa escrita chamarei guionismo e o estudo que lhe dedico pretende pôr em evidência a natureza daquela relação, bem como o processo comunicacional nela implícito.
As questões da autoria e da recepção, por exemplo, servem para ilustrar esta pretensão, mas trata-se apenas de um exemplo que não esgota a rede das inter-relações possíveis, muito menos esgotará, ainda, todos os possíveis ângulos de abordagem do objecto a que chamamos guião.
Tematizar a natureza daquela escrita não é apenas esboçar uma resposta para uma questão ontológica do tipo: o que é um guião?
Relacionando escrita e imagem, autoria e recepção da obra, é como rasgar sulcos nas camadas históricas e sociológicas de práticas culturais, para, na estratigrafia assim desenhada, tentar pôr a descoberto as particularidades dum objecto a partir das quais se possa avançar, com alguma segurança, na elaboração de conceitos indispensáveis para a formulação duma teoria do guião.
Neste domínio, apesar dos cerca de cem anos de estudos sobre o relato audiovisual, em especial da narrativa fílmica, estamos muito longe do rigor alcançado pela análise dos textos literários e, como tal, não surpreende, sequer, a falta de consenso no que diz respeito à própria terminologia básica utilizada. No caso do guionismo isso ocorre, desde logo, na designação do próprio género de escrita: é guião, argumento ou planificação? Depois, o que se pretende dizer quando se fala em audiovisuais?
Entre argumento, planificação ou guião, opto claramente pela designação de guião. Quanto ao termo audiovisual, utilizo-o como uma denominação técnica concebida em função de um produto obtido por um determinado meio de comunicação de massa. E ainda, em sentido estrito, para designar aqueles meios que permitem a transmissão de som e imagem, componentes que, no processo audiovisual, estão “condenadas” a complementarem-se. Incluem-se nas formas sonoras: o diálogo; a música; o som ambiente e os ruídos. Nas imagens, que podem ser fixas e em movimento, incluem-se: as imagens figurativas e as imagens não-figurativas.

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