O País Dos Coitadinhos – Mais de meio século depois de publicado, e totalmente ignorado pela comunidade acadêmica, as observações e argumentos de O País Dos Coitadinhos permanecem perfeitamente atuais, depois de idas e vindas em nosso processo de modernização.
Em 1965, na marola da “Revolução” o publicitário e jornalista Emil Farhat publicou, pela extinta Cia. Editora Nacional um alentado volume com o título O País Dos Coitadinhos. A obra teve algum sucesso, tirando, rapidamente, 4 ou 5 edições.
E depois desapareceu das livrarias, quase como também desapareceu da memória institucional o seu autor.
O “coitadismo” eleitoreiro, legisferante e judicante armou sua tenda na vida brasileira, e mercadeja simpatia, apoio e bom-mocismo nos gabinetes de governos e ministros, nas ante-salas do Congresso e até nas antecâmaras da justiça trabalhista.
Quem folhear o “Diário do Congresso” verá, estarrecido, a corrida em que deputados dos mais variados matizes se acotovelam na oferta das mais mirabolantes vantagens, concessões, direitos, privilégios, “defesas” e “arranjos” para grupos, classes ou grupelhos “especializados” de “trabalhadores” ou “funcionários”.
A disputa para ver quem é mais “generoso”, às custas do resto da Nação, chegou a tal ponto que ficou humorística a reivindicação de paternidade do 13º salário: segundo um cronista parlamentar, nada menos do que 15 deputados e senadores se disseram “pai da idéia”, não respeitando nem mesmo a hegemonia exercida nesse latifúndio político, “por direito de herança”, pelo próprio sr. João Goulart . . .
Deputados que querem ser senadores . . . senadores que querem ser ministros . . . ministros que querem ser presidentes, ou governadores . . . dirigentes de institutos ou de bancos oficiais que querem ser deputados . . . vão distribuindo à mão cheia privilégios, concessões, “vantagens”, reivindicações, cargos e sinecuras, porque tudo isto cairá nas costas de um imenso, vago e indefinido burro-de-carga que é o povo.
Cada um dêsses carreiristas abobalhados pela perspectiva da posição ou do poder, vai descarregando freneticamente em cima da Nação, das suas novas gerações, da sua iniciativa privada, com a insensibilidade dos abúlicos ou dos débeis mentais, os ônus da sua existência como “líderes” de qualquer coisa, ou até mesmo de presidentes da República.

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