O Hedonismo Qualitativo De J. S. Mill – O objetivo desta obra é provar que o hedonismo qualitativo de John Stuart Mill é uma boa resposta à objeção perfeccionista aventada contra o hedonismo benthamiano. Para tanto, esta pesquisa se divide em três partes essenciais.
Em primeiro lugar, após apresentar o princípio da utilidade e a teoria do valor de J. Bentham, apresento o que chamo de “objeção perfeccionista”, demonstrando que o hedonismo qualitativo de Mill surgiu como uma tentativa de superar tal objeção.
Em segundo lugar, discuto pormenorizadamente os conceitos de “qualidade” e de “juízes competentes”. Faço isso com o intuito de demonstrar que esses dois conceitos, se entendidos corretamente, possibilitam à teoria hedonista de Mill acomodar a intuição exigida pela objeção perfeccionista.
E em último lugar, após apresentar a famosa acusação de que o hedonismo qualitativo desenvolvido por Mill é inconsistente, procuro sustentar que as acusações, embora razoáveis, podem ser respondidas satisfatoriamente. Concluo, por fim, que o hedonismo qualitativo desenvolvido por John Stuart Mill é, sob todos os aspectos, uma boa alternativa ao hedonismo benthamiano.
John Stuart Mill (1806-1873) é considerado por muitos, não sem razão, o filósofo britânico mais importante e influente do século XIX. Apesar de nos dias de hoje Mill ser conhecido muito mais por suas colaborações no campo da ética e da filosofia política do que por seus avanços no campo da lógica, da epistemologia e da economia, em sua época sua fama intelectual se estendia a praticamente todos os campos de relevância filosófica.
Não foi apenas mediante a publicação de textos tardios como On Liberty (1859) e Utilitarianism (1861) que ele se popularizou enquanto intelectual de alto nível. Sua fama começou a ascender logo após a publicação de obras como System of Logic (1843) e Principles of Polictical Economy (1848). Por conta disso, é de se admirar que o estudo sobre o pensamento do filósofo britânico ainda esteja engatinhando no Brasil. Aqui, Mill é na grande maioria das vezes apenas lembrado como um utilitarista genérico, ou, ainda, como uma fonte histórica de argumentos em favor do liberalismo.
Creio que tudo isso se dê, em parte, por conta da maneira caricaturada com que suas teses são comumente tratadas nos manuais brasileiros de ética. O pensamento de Mill é, e isso todos os grandes conhecedores anglo-saxões de seu pensamento concordam, um avançado e extremamente rigoroso sistema de ideias que, de maneira alguma, pode ser reduzido a um simples utilitarismo caricato e assistemático.

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