Os Italianos – Afinal, quem são os italianos? Convivas barulhentos que devoram fartas macarronadas ou degustadores sofisticados de pratos refinados? Filhinhos diletos de mammas supersticiosas ou executivos competentes que criaram roupas, sapatos e objetos de design símbolos de elegância em todo o planeta? Pobres coitados vivendo sob o tacão de chefes mafiosos ou criativos autores de teorias revolucionárias?
O que sabemos é que os italianos são um povo cujas realizações, especialmente artísticas, sempre foram impressionantes. Seus artesãos, arquitetos, pintores e escultores encheram a Europa e a América com igrejas imponentes, monumentos, pinturas e esculturas. Homens como Michelangelo, Leonardo daVinci, Dante, Verdi e outros eram italianos e deixaram à Itália um patrimônio invejável de obras-primas da arte e da cultura.
Difícil encontrar alguém que não se sinta encantado por esses tesouros artísticos, pelos milênios de história da península e por suas belezas naturais, como as praias e as montanhas, os lagos e os mares. Os oriundos da península também são invejados por sua culinária maravilhosa, por sua língua melodiosa e pelo seu modo próprio de viver, informal e agradável. Mesmo não sendo amados incondicionalmente pelo restante do mundo, é difícil achar alguém que não os inveje, ao menos um pouco.
Ao lado desse povo maravilhoso, de artistas, homens de gênio, músicos e amantes da arte de viver, há um outro. Um povo de pessoas pouco confiáveis, charlatões, derrotados em muitas guerras e incapazes tanto de resolver seus próprios problemas como de construir um Estado eficiente e, justamente por isso, pouco respeitado. Um povo que conseguiu sair da pobreza generalizada, mas que ainda é visto, em muitos locais, como fonte de pobres e emigrantes que um dia foi e que segue um modo de vida agradável, mas primitivo e pouco sério. Um povo, enfim, passível de ser amado, mas não admirado nem respeitado.
Como é possível que ambos os povos sejam o mesmo? O que explica que a Itália e os italianos tenham sido, e ainda sejam, tão amados e invejados pelos estrangeiros, mas, ao mesmo tempo, tão desprezados e ignorados por estes? Como os próprios italianos podem amar e se orgulhar tanto do seu país e, simultaneamente, olhar com cinismo e certa resignação, como se não pudesse ser possível que as coisas fossem levadas a sério na Itália? Como esse povo pode reunir tantas qualidades e defeitos? E, entre tais qualidades e defeitos, o que é real e o que é, simplesmente, uma imagem, construída aos olhos do estrangeiro ou dos próprios italianos? Responder a essas perguntas é o objetivo deste livro.

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