Delicias Do Descobrimento – O padre José de Anchieta apreciava carne assada de macaco e bicho de taquara torrado e deixou esse depoimento para a posteridade. E ele não foi o único. Viajantes, padres, senhores de engenho e navegadores descreveram a fauna e a flora do Brasil do século XVI em detalhes. Registraram ainda ingredientes dos quatro cantos do mundo trazidos pelas rotas marítimas e as adaptações que os cardápios sofreram ao se deparar com novos itens.
Delicias Do Descobrimento enfoca a história do Brasil por um viés diferente: o da gastronomia. Resultado de uma preciosa pesquisa — que garimpou os textos de missionários, senhores de engenho, aventureiros e viajantes de diversas nacionalidades que por aqui aportaram —, põe o leitor diante do nascimento da cozinha brasileira no século XVI.
Com um olhar curioso e muitas vezes espantado, tais cronistas retratavam para o Velho Mundo a fauna e a flora exuberantes, fartas, generosas da nova terra. Há descrições e comparações inusitadas: um gambá era “um animal monstruoso, com cara de raposa, rabo de macaco, orelhas de morcego, mãos humanas e pés como de macaca”.
Há informações sobre o uso medicinal de plantas e animais, como a beberagem de buranhém empregada no combate à sífilis, com “resultado notável”. E há também o registro de que à abundância nativa começavam a se misturar “ingredientes” vindos com as Navegações, criando novos pratos e novos hábitos alimentares.
Na falta de azeite usava-se banha de peixe-boi derretida, e os bolos faziam-se com uma delicada farinha de mandioca. Carne de tatu e as crocantes pacas, assadas inteiras, eram iguarias. Vindas do Oriente, cana-de-açúcar e canela passaram a polvilhar cajus cozidos, e figos e marmelos europeus dividiam compotas com abacaxis e goiabas locais.
Além de citações dos textos quinhentistas — de autores como Hans Staden, Jean de Léry, Gabriel Soares de Sousa e André Thevet, dentre outros —, Delicias Do Descobrimento traz mais de 150 ilustrações e cerca de 40 receitas, originais ou adaptadas, de livros dos séculos XVI e XVII.
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