As Impurezas Do Branco é um livro que aponta novos e múltiplos caminhos na lírica de Carlos Drummond de Andrade. Os poemas tratam sem cerimônia alguma de temas maiúsculos como amor e metafísica, e abordam – com agudeza – aspectos da vida cotidiana, como o noticiário e a publicidade.
Publicado pela primeira vez em 1973, As Impurezas Do Branco é um livro singular na vasta e aclamada carreira do autor mineiro. O poeta se mostra permeável ao concretismo, à poesia de tonalidade menos cultivada – estamos na década que assistiria ao aparecimento da “geração mimeógrafo” -, à espacialidade da página em branco.
Atento aos acontecimentos do seu tempo, o poeta observa, com ironia e até alguma malandragem carioca, o cotidiano do Brasil e do mundo. Grandes notícias, fait divers, o verão na Cidade Maravilhosa, papel da publicidade em nossas decisões – nada escapa ao crivo crítico e debochado do poeta mineiro.
Da mesma forma que A Rosa do Povo havia sido marcado pela Segunda Guerra Mundial e pelo Estado Novo, As Impurezas Do Branco traz diversas referências à ditadura militar implantada no Brasil com o golpe de 1964. Assim, no poema Declaração em juízo, Drummond, então aos 71 anos e aposentado do serviço público, lamenta a perseguição a opositores do regime e afirma: “Não matei nenhum dos companheiros”.
Também em As Impurezas Do Branco foram incluídos os poemas escritos por Drummond para acompanhar o álbum de 21 desenhos de Cândido Portinari sobre Dom Quixote, reunidos sob o título Quixote e Sancho, de Portinari.

Carlos Drummond De Andrade nasceu em Itabira (MG), em 1902. Estreou em 1930, com Alguma poesia, e nos cinquenta anos seguintes publicou obras como Sentimento Do Mundo, A Rosa Do Povo, Claro Enigma, Quando É Dia De Futebol e outros. Drummond é considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX. Morreu no Rio de Janeiro em 1987, aos 84 anos.

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