Zero é uma das obras mais comentadas da literatura brasileira na segunda metade do século XX, e está em todas as listas dos cem melhores livros do século. Há 35 anos Zero continua uma presença fundamental nas livrarias e é fonte de discussões em escolas de ensino médio, universidades e em eventos literários.
O processo de construção de romance Zero está intimamente relacionado com o contexto do regime militar brasileiro e com o trabalho jornalístico do autor, no periódico carioca “Última Hora”. Atividade que desempenhou de 1964 a 1973 e que o colocou em contato direto com a constante silenciamento imposto aos meios de comunicação. Portanto, Zero é uma forma de “resposta” à censura e ao volume crescente de material jornalístico proibido de circular; e que serviram, posteriormente, como fonte de inspiração para o autor na elaboração do romance, que foi publicado primeiramente em 1974, numa edição italiana.
Ignácio Loyola Brandão constrói um texto verossímil, sensível ao contexto histórico que viveu, conseguido captar e transformar em material estético a atmosfera caótica e violenta do período. Ou seja, a partir de registros factuais, o autor elabora um romance de estrutura pouco convencional, com inovações textuais e formais, no qual a subversão da narrativa linear, da composição fragmentada e do jogo arbitrário da linguagem metaforiza a situação de coerção política e alienação de um território subdesenvolvido e sob regime ditatorial. Recortes de jornais, frases de banheiros, desenhos, rabiscos, letras de música, poemas, gráficos, que combinados contam a história do personagem central do romance, José, mas também, na expressão do narrador, de toda a “América Latíndia”, assolada por muitos atrasos de ordem política, econômica e cultural.
Zero inicia como uma série de fragmentos sobre um continente intitulado “América Latíndia” e encaminha-se para a “retratação” de um período conturbado, de medo e violência, típico ao contexto histórico brasileiro da ditadura militar: “Com a repressão que anda por aí, ninguém quer sair de casa, as ruas são vazias”. Os ambientes onde se desenrolam a maior parte dos acontecimentos é o subúrbio; e a classe pobre de indivíduos, alienados e manipulados, é retratada sem rodeios.

Camisa Abraço De Livro

Deixe uma resposta