Arte E Sociedade: Escritos Estéticos – Esta coletânea, organizada por Carlos Nelson Coutinho e José Paulo Netto, reúne importantes ensaios estéticos de György Lukács, o grande pensador marxista húngaro. A coletânea se divide em duas partes, que contém, respectivamente, ensaios sobre história da estética (Hegel, Marx e Engels, Nietzsche) e análises de diferentes gêneros literários (romance, sátira, lírica, tragédia). A sua leitura permite ver por que Lukács é considerado por muitos o “Marx da estética”.
O longo itinerário intelectual de Lukács tornou-se objeto de uma amplíssima bibliografia, na qual um dos temas recorrentes foi a definição das “etapas” de sua evolução, havendo um claro consenso acerca de uma “ruptura” entre o jovem Lukács e o Lukács da maturidade.
Para a nossa seleção de textos, consideramos como o pensamento maduro de Lukács aquele que o filósofo desenvolveu a partir do início dos anos 1930, ou seja, depois que – em seu primeiro exílio na União Soviética – tomou conhecimento dos inéditos de Marx (em particular Os manuscritos econômico-filósoficos de 1844) e de Lenin (os chamados Cadernos filosóficos) . Este conhecimento o fez superar muitas das posições defendidas em seus primeiros textos marxistas, especialmente no célebre História e consciência de classe.
A reflexão estética de Lukács, porém, tanto no plano da teoria quanto no da crítica literária, não se iniciou nos anos 1930: foi constitutiva de toda a sua evolução intelectual e tem um posto central no conjunto da sua obra.
Os primeiros escritos de Lukács, ainda pouco mais que adolescente, foram publicados (a partir de 1902) no Magyar Szalon (Salão Húngaro): trata-se de textos de crítica teatral. O interesse pelo teatro leva o jovem Lukács a ser um dos animadores da companhia Thalia, que oxigena o ambiente cultural de Budapeste.
Este precoce interesse pelo teatro está na origem da elaboração de uma densa História do desenvolvimento do drama moderno, cuja primeira redação recebeu, em 1908, o prêmio da Sociedade Kisfaludy; a obra foi publicada em húngaro, em dois volumes, em 1911, quando Lukács tinha apenas 26 anos. Embora inspirado no neokantismo, o livro revela também preocupações sociológicas, às quais não eram alheios temas marxistas, recolhidos sobretudo através do sociólogo alemão Georg Simmel, que foi uma das referências teóricas e metodológicas do jovem Lukács.

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