Tânia Lima & Outros (Orgs.) – Griots: Culturas Africanas, Linguagem, Memória, Imaginário

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Griots: Culturas Africanas, Linguagem, Memória, Imaginário – Este é um livro feito com as cordas das liras, com as raízes culturais africanas. Sabemos que, quando a África acordou o mundo com o som dos seus tambores silenciosos, os Griots surgiram como poesia. E por que não dizer que os tambores, os batuques, as batidas de alfaias, que sonorizam o ganzá místico, são representações líricas da memória poética. O rito da voz afrodescendente é melodia. Vale lembrar também a importância dos povos Bantos e Malês, além das influências musicais do Congo, para o legado da efervescência musical dos Griots.
Cantar feito um Griots é mover o instante de uma peça sonora em seu momento de improvisação. Pela canção, a música africana é metáfora dos instrumentos. Diz uma lenda que, antes da chegada dos colonizadores na África, os poetas compositores retinham a música a partir de seus lábios grossos.
Esse talvez tenha sido um dos poucos momentos em que a poesia tornou-se musical sem alijar a palavra cantada. É certo que separamos, por muito tempo, indevidamente, palavra e música. Se a palavra é misticamente uma espécie de profecia do fogo, a música é uma espécie de matemática dos sentidos. Toda palavra é orquestra de som que se doa a partir do ouvido da memória de cada comunidade.
Este caderno cultural que agora se apresenta reúne as mais variadas falas de pesquisadores que bebem nas mais diversas linhas de pesquisa. Se a cada época requisitam-se novas teorias, o que este livro se propõe é, talvez, redescobrir a dimensão humana dos povos africanos enquanto legado literário e cultural. Pensar e viver entre-culturas, este foi um dos legados principais que nos ajudaram a compor o leque de autores aqui reunidos.
Falar de África não é tão complexo quanto se pensa, mas também não é tão simples; falar de África é dialogar sobre um tempo-espaço onde a voz das encruzilhadas reivindica das margens o hibridismo, o sincretismo cultural. O sincretismo negro dá voz ao que foi silenciado pelo legado da unidade cultural do colonizador. Nesse sentido, o Griot é um livro de pesquisa que bebe nas cartilhas anticoloniais de Zumbi dos Palmares, Patrice Lumumba, Nelson Mandela, Eduardo Mondlane etc.

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