Émile Benveniste – Problemas De Linguística Geral

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Problemas De Linguística Geral – Os estudos reunidos nesta obra foram escolhidos entre muitos outros, mais técnicos, que o autor publicou nestes últimos anos.
Se os apresentamos sob a denominação de problemas isso se deve ao fato de trazerem em conjunto, e cada um em particular, uma contribuição ao grande problema da linguagem, que se formula nos principais temas tratados: encaram-se as relações entre o biológico e o cultural, entre a subjetividade e a socialidade, entre o signo e o objeto, entre o símbolo e o pensamento, e também os problemas da análise intralinguística.
Os que descobrem noutros domínios a importância da linguagem verão, assim, a maneira como um linguista aborda algumas questões que são obrigados a se propor e perceberão, talvez, que a configuração da linguagem determina todos os sistemas semióticos.
A esses, algumas páginas poderão parecer difíceis. Devem convencer-se de que a linguagem é, de fato, um objeto difícil e que a análise do dado linguístico se faz por árduos caminhos. Como as outras ciências, a linguística progride na razão direta da complexidade que reconhece nas coisas; as etapas do seu desenvolvimento são as dessa tomada de consciência. Além disso, será necessário compenetrar-se desta verdade: a reflexão sobre a linguagem só produz frutos quando se apoia, primeiro, sobre as línguas reais.
O estudo desses organismos empíricos, históricos, que são as línguas permanece o único acesso possível à compreensão dos mecanismos gerais e do funcionamento da linguagem.
Nos primeiros capítulos, esboçamos um panorama das recentes pesquisas sobre a teoria da linguagem e das perspectivas que elas abrem. Passamos a seguir ao problema central da comunicação e às suas modalidades: natureza do signo linguístico, caracteres diferenciais da linguagem humana, correlações entre as categorias linguísticas e os do pensamento, papel da linguagem na exploração do inconsciente.
As noções de estrutura e de função constituem o objeto dos ensaios seguintes, que se sucessivamente sobre as variações de estrutura nas línguas e sobre as manifestações intralinguísticas de algumas funções; principalmente as relações da forma e do sentido são relacionadas com os níveis da análise. Uma série diversa é dedicada a fenômenos de sintaxe; procuram-se, aqui, as constantes sintáticas através de tipos linguísticos muito variados, e se apresentam modelos específicos de certos tipos de frases que se reconhecem como universais: frase nominal, frase relativa.
“O Homem na linguagem” é o titulo da parte seguinte; é a marca do homem na linguagem, definida pelas formas linguísticas da “subjetividade” e as categorias da pessoa, dos pronomes e do tempo. Em compensação, nos últimos capítulos, o que se destaca é o papel da significação e da cultura; estudam-se aí os métodos da reconstrução semântica, assim como a gênese de alguns termos importantes da cultura moderna.

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