Herbert Marcuse – O Homem Unidimensional

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O Homem Unidimensional: A Ideologia Da Sociedade Industrial – Originalmente publicada em 1964, esta obra tornou-se rapidamente um dos textos mais importantes na década subsequente, um período de mudança política radical. Aqui, Marcuse contesta de modo contundente o que ele vê como o pensamento unidimensional universal – a aceitação acrítica e conformista das estruturas, das normas e dos comportamentos existentes.
O Homem Unidimensional argumenta que os membros das sociedades ocidentais, tanto capitalistas, quanto comunistas, devem reafirmar sua individualidade e sua liberdade pessoal contra a opressão do status quo tecnologizado. A única esperança para um modo de existência mais livre e feliz, acreditava Marcuse, está na oposição ativa ao desperdício, à destruição e à exploração que se encontram no coração da sociedade industrial avançada.
Em nosso mundo contemporâneo dominado pelo militarismo desenfreado e pela repressão generalizada, a crítica aguda que O Homem Unidimensional faz à sociedade ocidental permanecer tão assustadoramente relevante hoje quanto foi em sua primeira publicação.

A ameaça de uma catástrofe atômica, que poderia exterminar a raça humana, não servirá, também, para proteger as próprias forças que perpetuam esse perigo? Os esforços para impedir tal catástrofe ofuscam a procura de suas causas potenciais na sociedade industrial contemporânea. Essas causas ainda não foram identificadas, reveladas e consideradas pelo público porque refluem diante da ameaça do exterior, demasiado visível – do Oriente contra o Ocidente, do Ocidente contra o Oriente.
É igualmente óbvia a necessidade de se estar preparado, de se viver à beira do abismo, de se aceitar o desafio. Nós nos submetemos à produção pacífica dos meios de destruição, à perfeição do desperdício, a ser educados para uma defesa que deforma os defensores e aquilo que estes defendem.
Se tentamos relacionar as causas do perigo com a forma pela qual a sociedade é organizada e organiza os seus membros, defrontamos, imediatamente, com o fato de a sociedade industrial desenvolvida se tornar mais rica, maior e melhor ao perpetuar o perigo. A estrutura da defesa torna a vida mais fácil para um maior número de criaturas e expande o domínio do homem sobre a natureza.
Em tais circunstâncias, os nossos meios de informação em massa encontram pouca dificuldade em fazer aceitar interesses particulares como sendo de todos os homens sensatos. As necessidades políticas da sociedade se tornam necessidades e aspirações individuais, sua satisfação promove os negócios e a comunidade, e o conjunto parece constituir a própria personificação da Razão.

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