Rumores De Festa continua atraindo alguma atenção. Isto se deve, sem dúvida, à natureza de seu assunto: o cambiante movimento das festas populares baianas, um fenômeno que hoje suscita não pequeno interesse de estudiosos e do público em geral. Dá-se que ainda existe uma certa carência de estudos publicados a tal respeito, muito embora a bibliografia pertinente tenha aumentado nas últimas décadas. De qualquer modo, é recente o incremento da pesquisa nesse campo.
Ao falar, agora, da natureza mutável do objeto de meu estudo, já me obrigo a reconhecer que o livro aqui reapresentado se acha comprometido com a história de que trata, envolvido por ela de maneira decisiva. Afinal, ele chama a atenção para transformações. E é fácil ver que contempla um momento de uma rica trajetória, fazendo referência a etapas anteriores e esboçando tentativas de sondar desenvolvimentos futuros. Semelhante abordagem, por si só, convida a revisitas… E no presente há boas razões para o fazer – ou, pelo menos, tentar. Motiva-o a percepção de que um outro momento se desenha na vida das festas em apreço.
No ensaio “Atrás do trio elétrico”, observei que o carnaval de Salvador se agigantou, extrapolou do antigo quadro festivo que integrava, canibalizou festas que o precediam e de que antes recebia incremento, derramou-se por novos espaços, começou a transcender limites de tempo e lugar (teve seu modelo difundido, propagado, “exportado” para outros domínios e estações festivas); alcançou, assim, novas dimensões. A partir das últimas décadas do século passado, tornou-se campo de investimentos que, no seu corpo – em princípio consagrado ao ócio festivo – injetaram poderoso negócio: de show biz, publicidade e marketing. A superfesta atraiu empresas desejosas de expor suas marcas em um evento que reúne multidões e é transmitido pela tevê não só para todo o Brasil como para muitos outros países; elas não demoraram a interessar-se pela oportunidade de usar um cenário entusiástico amplamente exposto como recurso de atração e fidelização de clientes, de incremento de suas vendas. Por outro lado, isso fez com que alguns profissionais do carnaval procurassem organizar-se melhor, empresarialmente. Também Promoters passaram a ter um destacado campo de ação na grande festa popular. E constituiu-se uma indústria carnavalesca, com empresas especializadas na produção de trios-elétricos e equipamentos correlatos.

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